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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ela casou e foi morar no Canadá


Você deve ter muitos amigos tenho certeza, eu também tenho. Mas a Bruna foi uma amizade que aconteceu de um jeito tão bom, natural, simples. Eu sei assim são as boas amizades. Elas acontecem. O fato foi que não estudamos juntas, não fizemos faculdade juntas, não moramos no mesmo prédio e nem na mesma rua, mas quando nos conhecemos com o tempo percebemos que juntas a gente ia seguir por afinidade, respeito, parceria, amor de irmãs e também por causa do brigadeiro e da polenta que ela faz. Sou sincera e tenho os meus interesses.
Foi na praia numa casa linda e cheia de amigos que a gente bateu o primeiro papo. Talvez por conta do vinho, ou porque somos piscianas, ou até por ela é alta e eu sou baixinha que foi papo bom e divertido.
Se eu sou do tipo que faz amizade até com formiga morta, ela é na dela. Eu dou confiança pra todo mundo já a dela a gente precisa conquistar.
E foi assim eu do meu jeito e ela do dela que sentamos muitas vezes e falamos da vida, das nossas preocupações, medos, vontades e alegrias.
Entre tantas conversas eu separada e solteira ela idem na época, a gente fofocou sobre nossos amores, dores, expectativas e sonhávamos em encontrar um amor pra valer. Amor bom de cuidar e receber. A gente só queria sair uma noite encontrar um cara bacana, sem frescura e joguinhos, se apaixonar e “pá casar”. Qualquer semelhança com príncipe encantado é mera coincidência.
Bastava uma vir com uma historinha que a outra já imaginava tudo acontecendo como num filme romântico hollywoodiano.
Primeiro foi comigo. Contei pra ela minha história de novo amor. E tudo foi acontecendo, durando e dando certo. Bingo! Fui sorteada! Era e é um amor bom, desses que vale a pena construir uma vida do lado. Desses de pele, alma e coração.
Aí foi ela. Na Copa de 2014 aqui no Brasil. No fatídico jogo Alemanha x Brasil, eu sei que você lembra, sabe aquele? 7X1?! Então num desses bares que promoveu telão, jogo, bebida, gente uniformizada e toda alegoria pra enfeitar a vitória, mas no caso foi a derrota, que ela conheceu e beijou o Carioca.
Bruna é Bruna, gostar ela gostou mas não se empolgou muito já que o moço era de fora. Beberam juntos, se divertiram, e deu uma morridinha na coisa.
Passou um tempo acho que 1 mês e eles novamente se reencontraram. Era amor bom desde o começo mas ela não sabia ainda.
Eu estava toda felizona, ela estava indo aos poucos, mas no imaginário já estava pensando no futuro. “E se a coisa engatar? Ele mora no Rio de Janeiro, eu aqui em São Paulo, não vai dar certo. Como vai ser? Eu não acredito em namoro a distância. Ele é carioca”.
É ele é carioca, e é inteligente, divertido, alto (alto era uma condição de amor bom para Bruna) do bem e estava fazendo minha amiga feliz.
Eles se viraram e deram um jeito de tudo fluir, ele vinha ficava, ela ficava bem, eles estavam juntos e namorando. Eles têm sintonia e se entendem.
O que era pra ser um sinal de mau agouro porque perder de 7x1 é um puta azar, foi golaço aos 3 minutos de prorrogação do 2º tempo que deu a vitória pro casal.
O namoro não ligou para a distância e foi fazendo planos. Eu confesso que já pensava no vestido que ia usar no casamento.
Minha amiga estava feliz! Nosso aquário estava em festa.
Mas nem eu com a minha imaginação de roteirista consegui imaginar que ela se casaria e ia embora para o Canadá.
No máximo pensei vão se casar e morar no Rio de Janeiro e eu vou pra lá pegar uma praia e depois um pós praia.
Mas não! Marcus (é o Carioca) recebeu uma proposta de transferência no trabalho para o Canadá e aí o que era plano virou realidade em alguns dias. Marcaram a data do casamento, correram com a papelada do visto, e com arrumação de bye bye Brasil. 
Para nossa surpresa marcamos a data dos nossos casamentos no mesmo dia 18/02/2017! A gente não combinou nada, e como meu dia na verdade sempre foi dia 19/02 não me casei de  papel passado nesse dia.
O casamento dela foi íntimo, estavam poucos e os melhores amigos. Foi um dia pra lá de feliz, foi gostoso, charmoso e divertido.
Eu ganhei buquê! Ganhei mesmo porque a Bruna fez um buquê especialmente pra me dar. Uma maneira de dizer enfim casadas.
Eles se mudaram para o Canadá, ontem a Bruna me contou que a casa já está bem organizada faltando apenas alguns detalhes para ficar o “Lar doce lar”.

Eu estou feliz, eles estão felizes e todo esse texto é só pra dizer para você que acredita no amor, na amizade, no destino, que aqui é Brasil!!!!!  Aqui a gente vive pra amar, e acredita em histórias boas e felizes que dão certo mesmo elas começando num jogo de Copa do Mundo onde a gente perdeu de 7 gols porque isso foi só um detalhe besta.
Afinal azar no jogo sorte no amor baby.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Eles fizeram 18!


Então foi isso o tempo passou pra mim e pra eles. Lembro-me da primeira reunião da pré escola que a professora achou que eu era irmã mais velha do Arthur. Pois é hoje eu sou a Tia Marcela. Foi no colégio que o Arthur fez amigos assim como no prédio em que morávamos. Eles cresceram, hoje cada um está seguindo suas escolhas, seu caminho.
O Arthur fez 18 anos do jeito dele. Ele quis comemorar com os amigos. O pai corajosamente e na confiança liberou a casa e rolou uma festa organizada por ele e pelos amigos.
Rolou a festa! No estilo deles, pulseirinha, música, vodka barata, o amigo que chama o amigo, enfim se divertiram.  Fizeram uma baguncinha, limparam a casa do jeito deles, ele perdeu a unha de um dedo do pé e tudo certo.
Aí foi o João que fez 18 anos. O João também comemorou ao estilo dele. Ao estilo mega produção Batcave. Foi uma super festa no interior de São Paulo, na fazenda da família. Super produção, palco, bandas, Djs, touro mecânico, máquina de foto instantânea, vans para buscar e levar, hotel para os convidados, comida deliciosa, bebidas a vontade, parabéns, bolo lindo, fogos, 4 graus de temperatura, foi demais! Foi demais no sentido literal da palavra. Muita alegria, muitos amigos, a família reunida e os pais de alguns amigos. 
Nós fomos. Caímos na pista, dançamos, bebemos, tiramos fotos, foi pura diversão. Teve mocinha linda me falando: “Tia você ta arrasando na pista”. Teve menino abraçando meu marido e falando: “Fezão que bom que vocês estão aqui”. Teve pais e filhos ali conversado, dando boas risadas, brindando com pinga de barril o aniversário do João que também é o Nani.
Teve tanto de tudo que é bom, pais, filhos e amigos reunidos, celebrando uma data importante, olhando pro céu estrelado e agradecendo por vivermos esse momento todos juntos.
Combinamos com o João que com 36 anos vai ter festa! Não queremos nem saber, queremos tudo de novo. Estaremos mais velhos, mas estaremos lá com eles vivendo tudo de novo.
Depois foi a vez do Fernando fazer 18 anos. E a comemoração foi dele e a cara dele. Foi camarote e balada. Nós quase não fomos, mas na hora “H” nós conseguimos ir. O Fe fez esquenta na casa dele, com direito a cachorro quente e bebidas. Na balada estavam todos lá, dançando, rindo, andando pra cá e pra lá, bebendo, falando, ficando, beijando.
Foi muito bacana. Por alguns minutos voltei no tempo, num flash back me vi nessa idade com as minhas amigas e amigos da escola na balada.  Só que nessa noite eu estava com meu filho, meu marido, os amigos do Thu e os pais do Fernando.
Olhei no espelho do banheiro e constatei que o tempo havia passado, eu não era mais aquela garota da escola, representante de classe, que jogava Handebol, que comia fandangos com os amigos em baixo de uma árvore que adotamos nossa, que fazia trabalho de escola, que tinha aula de laboratório, que trocou de prova de matemática com o amigo.
Olhei a minha volta e a conversa no banheiro feminino ainda era a mesma. 
-“Nossa você viu com quem o Pedro ta ficando?”
-“Meu sério a Cá não vem? Meu a mãe dela é muito mala”. 
-“Rafa você viu a roupa ridícula que a Julia ta vestindo, afff... ela se acha a linda”.  
-“Se hoje a gente não ficar junto eu vou desencanar dele e vou pegar o Murilo”.
As meninas olharam pra mim, e uma delas disse: “Ela é a mãe do Arthur”. A outra fez uma carinha espantada e disse: “Oi tia que legal que você veio, ta gata”.  
O “ta gata” aliviou o “Oi tia”.
Saindo do banheiro duas meninas se beijavam. O tempo é outro. O amor é plural. Eu estava ali vivendo meu passado em pleno futuro, em pleno presente.
Ficamos um pouco, dançamos, curtimos, e voltamos pra casa com uma sensação boa, uma coisa jovem de frio na barriga, olho brilhando, sorriso na cara e corpo molinho.
Sempre dá saudades do que a gente já foi, do que a gente já viveu. Eu morro de saudades do colégio, de como era a vida naquele tempo.
Hoje são eles que estão com 18 anos. São eles que tem sonhos impossíveis pra realizar, coisas para fazer a cada segundo, tempo pra errar e consertar. São eles que estão saindo do colégio e mergulhando na vida.
Nós sonhamos com o possível, temos nossas coisinhas pra fazer, e cada tempo perdido é um erro que não dá pra consertar.
É bom ver filho grande, filho moço, filho criado. Lógico que o trabalho não acaba, que a preocupação nunca vai dormir, no máximo ela tira um cochilo, mas é bom ver que eles estão fazendo 18 anos com valores, amigos, planos, e cheios de vida.
É bom saber que ainda pedem remédio pra gripe, gostam da nossa comida, que não importa  quanto o tempo vai correr a gente vai estar com eles na linha da largada e na linha da chegada.
Filhos maiores, menores, pais novos, velhos, essa é uma relação de amor a qualquer tempo e seja com qualquer idade nós só queremos que eles não esqueçam de pegar a blusa e que sejam felizes. Vida longa aos Reis!

*Menina do banheiro só queria te contar que hoje sou bem casada com um homem que é meu amigo desde os 14 anos, éramos amigos da praia, de férias. Hoje temos uma Pimpim e construímos uma vida juntos. Isso é só pra dizer que ainda bem que o mundo gira, e que no final dá tudo certo. Então dane-se se o Pedro está ficando com outra. Enjoy garota você tem 18 anos!
quinta-feira, 7 de maio de 2015

Estou amando uma menina


Ufa! O ano começou. Notícia atrasada essa, afinal, o ano já começou há 4 meses.Vida de mãe é assim, tanta correria, tanta rotina, tanto por fazer que a gente não vê o tempo passar. Ou melhor, a gente só vê o tempo passar, voando, correndo, acelerado e parece que estamos sempre atrasadas, com uma lista imensa de coisas pra fazer.
Esse é o primeiro texto do ano, e não que eu não tivesse tido vontade e assunto para escrever antes, mas, fiquei totalmente imersa na chegada da Luana, minha filha.
No começo do ano os dias foram dedicados aos últimos preparativos para seu nascimento. Depois tive que diminuir o ritmo pois, estava exausta e ansiosa. Enfim, ela chegou! Com data, local e hora marcada. Segunda-feira, dia 09/02/2015 ás 18:16hs. na maternidade Pró Matre de cesariana nasceu minha Luana.
Foi uma festa! Uma linda, emocionante e feliz festa. Foram muitas visitas, presentes, carinho. Ela foi muito esperada por todos.
O Ufa! aqui de cima, também é de alívio por tudo ter sido tranquilo e ter acabado bem como esperávamos.
Cabeça de mulher não pára de pensar um segundo, imagina de mulher grávida! São 7.312 pensamentos compulsivos agitados por dia (número fictício apenas para ilustrar o fato, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência ou não). Se você já achou meio paranoico esse número imagina todas as minhocas, grilos e pulgas associados a ele. Sim, a gente pira!
Damos graças à Deus quando o bebê nasce bem, saudável e todos podemos ir para casa depois de 3 dias.
Bom, o ano começou, logo em seguida ela nasceu e a vida mudou. A vida mudou e ponto final é só modo de dizer, isso não significa que as coisas acabaram. Ao contrário ai que tudo começou. 
Mãe e bebê precisam de rotina. Precisa ter horários, organização.Um bebê se desenvolve melhor quando logo nos primeiros dias se estabelece uma rotina. Isso o deixa seguro e calmo. No começo qualquer mudança é um pequeno stress, o ideal é que tudo seja igual para que ele se acostume a nova vida e entenda limites.
É cansativo. Muito eu diria. Dorme-se pouco e no geral somos solicitadas 24hs. sem intervalo de segurança.
O bebê até pode ser cuidado por outras pessoas que querem ajudar, mas, o bebê quer a mãe. É a mãe que alimenta, acalma, que exala um cheiro que da segurança, que decifra o choro. É a voz conhecida, e o calor que protege.
Então, por um bom tempo somos mais mãe do que mulher. E isso é diferente.
Não é raro ver mães mais preocupadas em arrumar, alimentar, fazer dormir seus filhos do que si mesmas.
É uma fase que temos super poderes. É tanta força, é tanta disposição mesmo com sono horas atrasado e muito cansadas pela demanda exigida.
Comigo não é diferente. Não foi há 16 anos atrás com o Arthur e não está sendo agora com a Luana.
Mas, não posso reclamar, ela é um bebê calmo. Come bem, dorme bem, consigo descansar e repor as energias. Mas, não me faltam espelhos pra mostrar o quanto estou cansada. Bebê é igual sol, tem efeito cumulativo. Um cansa o outro envelhece.
Demora um tempo considerável para o filho ser menos dependente e deixar de nos solicitar tanto. Talvez uns 30 anos ou a vida inteira em alguns casos. 
Brincadeira à parte é cada vez mais precoce a iniciativa de estimular nossos filhos a serem grandes por eles mesmos.
Tudo a seu tempo, mas, isso é bom e saudável. A longo prazo, na fase adulta, isso tem consequências positivas.
Eu não quero filhos adultos dependentes de mim para resolver seus problemas. Sou apoio, sou ajuda, mas, eles é que tem que achar a solução.
Esse vai ser o primeiro dia das mães como mãe da Luana, e posso dizer tem sido grandiosa essa experiência de ser a mãe dela.
Ela nem faz ideia, mas, já faço planos, já tenho mil preocupações, já sonho com os primeiros passos e palavras, já quero trocar segredos, já não quero que ela tenha cólica, já fico ansiosa por vê-la mulher feita. E bem feita.
Eu estou feliz e isso tem a ver com a Luana. Tem a ver com essa função mãe, tem a ver com esse universo todo especial, todo inteiro de amor, todo rodeado de entrega.
Esse ano algumas amigas também serão mães. Umas esperavam muito por isso, outras foi no susto.De qualquer forma vai ser maravilhoso para todas e todas serão outras mulheres depois disso.
Foi como eu disse dia desses...nenhuma mudança de vida é tão legítima quanto ter um filho. Tudo muda. O olhar, o dormir, o cuidar, o dar, o ser, o fazer, o sentir. E tudo isso muda por causa do amar.
E se a vida muda por causa do amar, mudamos também.
Onde tem muito amor, mudamos para melhor, onde tem pouco amor mudamos para pior.É incrível a capacidade de transformação desse sentimento.
Todas as noites quando coloco a Luana para dormir, penso como Deus foi generoso em permitir essa troca, essa relação de afeto.
E virou um hábito pedir à Deus que dê um bebê a toda mulher que quer ser mãe. É uma obrigação dele atender esse desejo. É muito cruel nesse caso querer e não poder.
Esse é meu pedido de dia das mães, que o mundo tenha mais mães.
Que o mundo tenha mais mulheres geradoras de carinho, de cuidados, de coragem e proteção.
Que muitas mulheres e porque não todas que desejam sejam mães. Mães biológicas, mães adotivas, que todas tenham seus filhos amados. Seja de parto normal, natural, cesariana ou por escolha e opção. Seja para dar o peito, ou a mamadeira.
Seja para ter um pai, ou ser mãe solteira. Seja com hora marcada ou a qualquer momento depois que a bolsa estourar.
Seja para sentir dor e depois amor.
Mães! O mundo precisa mais desse ser com caraterísticas tão particulares.
O dia a dia precisa dessa mão de mãe que dá jeito em tudo, mas, do jeito certo e não do jeito Gerson.
Nós somos diferentes. Nem melhores e nem piores, somos mães.Um tipo de gente que dispensa carta de referência. 
Por que? Porque somos excelência em gerar vida por amor, e isso é quase ser Deus.




quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Mãe aos 40


Há 13 anos atrás eu sai numa matéria da revista Cláudia, sobre mães de diversas idades. A matéria entrevistou e fotografou quatro mães e seus filhos.
Na época eu tinha 27 anos e o Arthur 2 anos. O teor da entrevista era saber como foi e era ser mãe naquela idade. Quais os medos, os desafios, os planos para o futuro.
Na entrevista falei que a gravidez não foi planejada. Que o casamento passou por um momento muito difícil após o nascimento do Arthur, mas, que depois as coisas entraram nos eixos. Que os planos para o futuro era fazer pós graduação, seguir em frente, pensar e cuidar de mim.
Bom, dos planos, seguir em frente foi o que se realizou. Com a correria de trabalhar fora, cuidar de casa, do filho e um pouco de mim a pós ficou pra trás.
Quem é mãe sabe que sobra muito pouco tempo para outras coisas. Demora para o bebê ser menos dependente da mãe e dos seus cuidados.
Nesse tempo a vida se escreveu em mim. Foram dias tranquilos com o Arthur, ele sempre foi um bebê calmo e saudável. Ele disse um dia desses que eu dei muita sorte com ele. E concordo com ele, eu dei uma baita sorte mesmo. Ele foi um bebê, um menino e hoje é um adolescente maravilhoso, nunca deu trabalho, dor de cabeça. 
Não dá pra dizer numa entrevista de uma página o que é ser mãe. É muito raso, é muito pouco espaço pra explicar. 
Ser mãe são dessas coisas que precisa sentir na pele pra saber, pra dizer.
A maternidade te rouba um pouco de ser mulher, de se cuidar, de se gostar as vezes, de se ver.
Toda sua atenção, sua preocupação, seu olhar, seu sentir, é do seu filho, é da sua cria.
Ficamos sensíveis mas, meio bicho, meio ariscas, meio meigas, é uma mistura forte de todos os sentimentos. É uma fome de posse, de cuidar, de proteger.
Toda mulher sem exceção torna-se outra mulher após ser mãe.
A transformação do corpo, das atitudes, do sentir de dentro pra fora, começa logo no primeiro segundo que a gente sabe que vai ter um filho.
Tudo muda. São os hormônios, é a mutação mais perfeita, lógica e emocional que existe.
Fora todo medo de falhar, de faltar, sobra a coragem de amar. Amar com todas suas forças, de todos os jeitos e formas. Amar sem limites, sem poréns, sem porquês, sem vírgulas, sem pontos, sem atalhos. Apenas amar.
A minha vida seguiu. Cada dia foi um dia. Me separei, me virei, o Arthur cresceu, aprendi com ele, com meus erros e com as minhas escolhas. Aprendi sendo mãe sozinha, sem babá, sem frescuras.
Sem dúvida hoje sou alguém muito melhor, muito mais eu. Ser mãe aos 27 anos é meio desencanado. Eu não botava peso nas coisas, cuidei, aproveitei a fase sem medo, sem pressão. De algum jeito eu sabia que ia dar tudo certo e deu. Intuição de mãe.
Hoje depois de 15 anos vou ser mãe de novo. Dessa vez a gravidez foi planejada, dessa vez a gravidez me deu um pouco de medo.
Medo de não ter pique, de não saber como se faz, do bebê ter algum problema. Medo de ser mãe com todas essas modernidades de agora.
Foram alguns dias pra ficha cair, para eu aceitar que ia começar de novo, pro medo ir embora.
Mas, mãe é um ser corajoso por natureza e a gente respira e vai. 
Na reportagem da revista Cláudia, a mãe de 40 anos, fez inseminação artificial por dificuldades de engravidar e era mãe de trigêmeas. Imagina a loucura, o gasto, a disposição que precisa ter.
Na entrevista ela se dizia feliz, completa e realizada após a maternidade. Você percebe nas respostas dela, uma mãe mais madura,  mais serena e menos ansiosa mesmo com trigêmeas. 
Hoje é assim que eu vejo essa gestação, mais madura, menos ansiosa.
Não estou comprando tudo que vejo pela frente, não estou pensando no quarto com mil detalhes, não estou alucinada lendo tudo sobre bebê como qualquer mãe de primeira viagem.
E por que? Porque é uma outra viagem. Essa viagem tem lugar marcado e a bagagem hoje é maior.
E isso acalma, isso te faz segura pra todo resto. 
A maternidade aos 40 ou após os 40 está mais acessível, as mulheres estão focando na carreira e depois tendo seus filhos com calma, com planejamento e até com os parceiros certos.
Muitas vezes uma maternidade precoce gera filhos abandonados por seus pais. Abandonados por medo, imaturidade, vergonha, insegurança, dificuldades.
Com 40 anos eu vou ser mãe de novo, agora de uma menina. E se o medo passou e estou toda corajosa pra enfrentar essa gravidez, ser mãe de menina ainda é uma novidade.
Fico pensando como será? Vamos ser amigas? Vamos nos dar bem? Ela vai me amar? Vamos gostar das mesmas coisas?
Está certo eu falei que não estava com medo e nem ansiosa, mas, eu menti oras. Grávida também mente.
Eu não pensava mais que seria mãe e mãe de menina ainda vai ser um grande desafio.
Mas, estou aqui. Vendo o barrigão crescer, vendo meus olhos brilharem por tudo que é rosa e tem laço, vendo minhas energias irem para uma outra mocinha.
Eu quero muito que ela tenha o melhor de mim. Quero que ela seja saudável, leve, feliz, engraçada, de bem com vida e com todos. Quero que ela se pareça com o Arthur e também com o Fernando, o pai dela.
Penso nela 24 horas agora. Penso no rostinho, nas gracinhas, penso em tudo que ela vai passar aqui como mulher. Nessa obsessão por regime, por moda e por ser gostosa de hoje que cada mulher vive. Penso como será o namorado dela. E como vou falar com ela sobre menstruação, pílula e a primeira vez dela.
Ainda faltam uns bons meses, mas, como eu não estou ansiosa e nem com medo eu vou pensando nessas coisas sem parar.
Estar grávida é isso a gente fala uma coisa e sente outra. A gente tem vontade de uma coisa mas, ao mesmo tempo pode enjoar só de olhar.
Estar grávida é a contradição da certeza. Porque a única certeza que a gente tem é que dormir mais um pouco é muito bom.
Eu vou ser mãe aos 40 anos da Luana, e se hoje eu fosse entrevistada por uma revista sobre o que é ser mãe com essa idade, eu diria ainda não sei, mas, otimista que sou aposto todas as minhas fichas que vai ser maravilhoso, muito louco e que eu vou dar conta do recado.
Mas, se cabe um pedido assim despretensioso lá vai: Luana, coopera filha! dorme a noite toda por favor. Te amo desde a barriga. 
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Já fui 40 mulheres


Confesso que nunca grilei com essa idade, 40 anos. Não pensava aos 10, aos 20, aos 15, aos 18. Pensei pela primeira vez aos 32 anos. Pensava o que vai ser? Como vai ser? O que eu vou ser? E hoje chegou. Estou aqui, acordei hoje com 40 anos. E dentro da minha expectativa hollywoodiana digo, que bom que chegou assim.
Que bom que chegou assim sem conflito, sem dor, sem tristeza. Que bom que chegou calmo, pedindo licença e fazendo cortesia. Que bom que chegou saudável. Que bom que chegou me seduzindo, me deixando ser bonita por dentro e por fora. Que bom que trouxe presentes.
Não posso reclamar de nada! Quer dizer talvez de uns 3 quilos a mais. E Só.
Me sinto ótima! Viva, alegre, feliz por essa fase cheia de boas surpresas, muitos encontros e reencontros e alguns sonhos realizados.
Nesses 40 anos eu tenho a sensação que fui 40 mulheres diferentes. Não 40 personalidades diferentes, a Marcela sempre foi a mesma. Mas, cada idade me arrebatou de um jeito. É natural que seja assim. Com 5 a gente é menina e se comporta como menina, aos 24 me achava irresistível e vivi como tal. Cada idade uma vida, uma mulher e um jeito diferente de ver o mundo. Teve idade que foi parceria comigo, e teve idade que foi conflito.
Aos 40 anos ainda me sinto um pouco de cada Marcela que carrego comigo nesses anos. Tem dias que estou sapeca. Brinco, faço graça. Tem dias que estou chata e existencial como uma adolescente aos 16 anos. Tem dias que olho no espelho e me gosto como se eu tivesse 30 anos. São as mulheres que existem em mim. São as mulheres que existem em nós.
Mas, ainda que existam tantas dentro de mim, tem sempre uma que se sobressai. E essa é a mulher comum. A mulher bem simples mesmo. Igual a tantas que conhecemos.
A mulher comum que quer ser feliz, amada, que quer ser magra ou gordinha mas, atraente, que quer ganhar o mundo aí fora e ser reconhecida, que se preocupa com a família, a amiga, o cachorro, o gato, o papagaio, o mundo. A mulher comum com suas crises, seus desejos. Uma mulher bem comum, que se olha e se orgulha que se enxerga e se culpa, que se aceita como é.
Não existe milagre maior que se amar, gostar do que somos e do que nos tornamos. Claro, que tem dias que bate uma tristezinha miúda que fica cutucando a gente. Enchendo o saco pra ver se a gente pira e encana, fica ali incomodando pra ver se a gente sede e se abala. Mas, se nem a Cinderela foi feliz o tempo todo na estória, então não espere isso.
Ser feliz em todas as idades, com os sabores e dissabores que existem é um segredo precioso! É assim, com 15 anos a gente queria ter carro e poder dirigir. Aos 40 anos a gente tem carro, pode dirigir, mas, a gente quer ter a barriga sequinha dos 15 anos. Não tem jeito, cada coisa tem seu tempo e envelhecer é inevitável. Mas, adoecer da alma nunca!
Até o momento fazer 40 anos não está doendo nadinha. Ao contrário. Que delícia ser paparicada, receber carinho, presente. Se sentir amada, lembrada por todos que estão a minha volta.
Conheço gente que sofreu com essa idade. Cada um tem seus medos. Eu estou bem. Me sinto segura, tranquila, ansiosa, distraída, louca, normal, quieta, agitada. Ah! Nada diferente de como me sentia aos 39 anos. Porém, com 40 anos.
Quando se vive uma experiência de quase morte, diz quem já viveu pra contar, que passa um filme da própria vida. E nesse filme vem imagens, pessoas, situações importantes, coisas que nos marcaram, eu não sei se isso é verdade, quero acreditar que sim. E se for tenho certeza que meu filme vai ser tipo Duro de Matar e suas 33 versões, vai ter muita coisa boa pra passar.
Fazer 40 anos não é um problema. O problema é não fazer. É não chegar até aqui pra contar como foi. E não ter vivido coisas que renderam boas risadas, orgulho, mico e alguma dor de cabeça.
É não ser 40 mulheres diferentes e apaixonadas pela vida!
Eu chego aos 40 anos muito feliz, vou casar novamente, vou mudar de casa, tenho um filho de 15 anos, uma família que me acolhe, muitos amigos, um amor que me completa, tenho esse blog, meus gatos, meu trabalho, uma vida boa e bem normal.
Chego aos 40 anos hoje desejando mais 40 anos. Desejando de todo coração ser mais 40 mulheres diferentes, mas, a mesma Marcela de sempre. Desejando ser essa tal mulher loba! Porque não?! 
Desejando dividir meu bolo muitas vezes. E hoje divido o bolo não porque comer sozinha engorda, mas, porque dividir o bolo me faz muito mais feliz por ter com quem dividir.
Hey pega seu pedaço e pode repetir tá, porque pedaço de amor só engorda o coração.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Quando é mais que quanto...


Quando todos os espaços são preenchidos
Quando as bocas se encontram mil vezes
Quando os olhos só procuram por um
Quando a cor do cabelo dele é a mais bonita de todas as cores
Quando o cheiro que vem dele te deixa mole e tonta
Quando o Bom dia! Quer dizer eu te amo!
Quando o desejo for mais forte que o pecado
Quando o seu corpo cabe sob medida do lado do dele
Quando a melhor companhia é de um homem menino todo rabiscado
Quando você gosta dele exatamente do jeito que ele é
Quando a chegada dele justifica toda espera
Quando os planos precisam existir
Quando você acredita no depois
Quando o outro homem da sua vida gosta dele também
Quando tudo isso acontecer de uma hora para outra, sem avisar, sem pedir, e você tiver certeza que é pra você, você tem um AMOR
*Pra você amor
quarta-feira, 29 de maio de 2013

Lua de segredo nosso


Lua
você que tudo viu
que contemplou o amor e o calor
você que fez claridade 
e que marcou meu corpo no dele
e que estampou a nossa sombra na parede
Lua
segredo meu e seu o quanto foi bom
segredo meu e dele o quanto a gente se olhou, conversou, suou e gostou
segredo nosso o quanto isso é AMOR
segredo de ouvido falado assim: Eu te amo! Eu te esperei!
São segredos
o beijo que combina
o corpo que se encaixa
os olhos que se procuram
Não espalha, finge que não viu 
E nem ouviu o coração bater alto
Finge que a gente não estava aí na lua, no céu
Mas, não esquece que foi uma delícia
Não esquece que foi que nem lua de mel
quinta-feira, 4 de abril de 2013

Meu coração tá menino


Tá de olhos negros de gato
Tá cheio de malícia e doçura
Tá de sorriso escancarado e tímido

Tá de corpo moreno e suado
Tá de desejos e vontades!!
Tá de loucuras proibidas

Tá se exibindo pra mim
Tá falando mil bobagens gostosas
Tá sem limites e sem fim
Tá ousado, abusado e nas suas mãos
Tá cheio de segredo nosso

Tá todo momento junto
Tá no pensamento 24 horas

Tá cheio de razão
Tá sonhando acordado
Tá respirando paixão
Tá cego pro mundo
Tá cheirando pecado 

Mas, tá perdoado! porque é AMOR!
Ah! meu coração tá te paquerando menino!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A loja do meu pai



Como alguns imigrantes meu pai veio para o Brasil ainda moço, procurando oportunidade. Chegou sozinho e teve que se virar sozinho também.
Uma oportunidade aqui, outra ali,  e a vida era apertada.  Todo imigrante que queria trabalhar encontrava trabalho. E quem trabalhou prosperou. Tinha muita coisa pra fazer, dava pra arriscar, errar, arriscar de novo, e acertar. Hoje essa chance de errar é bem pequena.
Eles trabalhavam, mas, a grande maioria queria ter seu comércio, seu próprio negócio.
Finalmente meu pai jovem ainda, juntou todas as suas economias, a coragem, a vontade de vencer e assumindo uma dívida pesada confessada em duplicatas comprou sua própria loja.
Conta ele e minha mãe que não foi fácil. No começo era muito trabalho, pouco crédito, recursos escassos e quase faliram.
Enfim, o que era pra durar 6 meses, durou 20 anos!
A loja ficava na  Rua: Barão de Itapetininga, centro de São Paulo. Era numa esquina boa, vistosa.
Chamava-se MAXI-SOM.
Era uma loja de discos, LPs  e outros artigos como: agulhas, fitas K-7, filme de máquina fotográfica, canetas finas, e com as mudanças mais tarde vendia CD.
Apesar de algumas crises, ela venceu. E dela saiu tudo. Educação, comida, conforto, saúde, lazer, férias na praia. Dela saiu a nossa vida.
Apesar de ter visto inúmeras vezes meu pai apreensivo, com o movimento da loja, preocupado em como iria pagar as contas, como todo comerciante, considerando tudo, foi um prospero negócio.
Meu pai no "mundo do disco", como ele costumava dizer, não era uma potência, existiam lojas maiores e mais lucrativas.
Mas meu pai era respeitado, tinha prestigio porque sempre foi um homem correto, justo e bom. E ainda é.
Muitas vezes ele reclamou dizendo: “O centro esgota!”
O balcão é muito cansativo, precisa ter paciência e o tino comercial.
Todo mundo cansa do seu ofício um dia.
Vi a loja mudar algumas vezes por causa das reformas. Lembro de quase tudo nela, da disposição dos discos, da vitrola, das decorações comemorativas, dos cartazes promocionais das gravadoras, do balcão, da caixa registradora, da escada que dava pro estoque e escritório, do catálogo de agulhas, da vitrine.Lembro com amor e nostalgia.
Nós, eu e meus irmãos, crescemos indo pra loja. Pegávamos o ônibus Praça do Correio e íamos sozinhos para o centro. Eram outros tempos. Não havia essa maldade, esse tempo perverso e pervertido.
Quando íamos era por algum interesse lógico. Afinal, toda criança, adolescente é interesseiro.
Sempre comíamos no Mc Donald´s do lado do Mappin, comprávamos roupa na Mesbla, tomávamos sorvete, comprávamos doces na Kopenhagen, de tarde era pão de queijo e suco de laranja.
Era só diversão, sem preocupação de quem pagava a conta da farra.
Meu pai ficava quase louco com a gente lá. Porque queríamos fazer tudo. Ficar no caixa, fazer embrulhos, procurar agulha no catálogo, enfim, a gente queria “brincar de trabalhar” só que com dinheiro, caixa registradora e clientes de verdade.
Meu pai deixava por um tempo ou quando a loja estava sem muito movimento. Nossa felicidade era imensa porque a gente estava “trabalhando”.   
Tenho tanta saudade dessa loja. Tenho e sinto tanto amor por esse lugar mais que qualquer lugar que eu tenha vivido.
Lembro-me do telefone de lá 255-0290. Lembro-me do meu pai de braços cruzados na esquina olhando o movimento. Lembro-me do letreiro, e da bagunça que era o estoque.
Não me esqueço dessa loja que com certeza foi a melhor fase das nossas vidas, mesmo considerando as ressalvas.
A loja me lembra uma mulher. Cheia de charme, manhosa, guerreira, com seus encantos e desencantos, mas, feminina, delicada, caprichosa e muito forte!
O centro mudou, o comércio mudou, todo mundo começou a ir para os Shoppings. Porque é mais glamoroso, mais seguro e mais bonito do que as ruas do centro que já estavam começando a ficar decadentes.
Meu pai passa o ponto, vende a loja por causa do altíssimo aluguel. Deu medo. No fim foi na hora certa, porque senão teria sido mais doloroso.
Porque estou escrevendo isso? Porque ontem eu sonhei com loja. Sonhei que estava escutando música lá dentro.
Olhei tudo nela e me reconheci mulher como ela sempre foi. Deu saudade de tudo.
Ontem fiz  39 anos e na hora de apagar a velinha, rodeada dos meus amigos, pensei que metade do caminho já foi. E foi bom demais até aqui.
Como imagino que se a loja tivesse alma (e eu sei que tinha) foi viver seus 20 melhores anos com a minha família.
Quando ela fechou, foi como enterrar um ente querido. Doeu.
Como ontem foi meu aniversário, e tenho direito a um pedido, hipoteticamente pediria pra viver mais um dia na loja do meu pai.
Com certeza comeria no Mc Donald´s, compraria uma roupinha na Mesbla, a tarde comeria o pão de queijo e tomaria o suco de laranja, depois compraria língua de gato na Kopenhagen.
Eu ficaria no caixa, colocaria uma música do Legião Urbana pra tocar (porque era o sucesso que eu mais gostava de ouvir) esperava a tarde cair, e as 20 horas veria meu pai baixar as portas de ferro da loja. Eu voltaria pra casa com meu pai exausta e profundamente feliz porque mais um dia eu tinha “brincado de trabalhar”.
Pena que ainda não inventaram a máquina do tempo, porque ontem de presente eu teria pedido mais um dia na loja do meu pai.
Pediria mais um dia de menina só pra ver meu pai feliz de novo.
terça-feira, 6 de novembro de 2012

Receita minha pra ser feliz!


Coma brigadeiro
Tome vinho sempre
Ande de patins
Escute música voltando pra casa
Vá à jantares com amigas 
Tome sol como lagartixa
De risada das suas bobagens
Conte seus contos
Vá ao cinema com boa companhia
Assista um show e cante com o coração
Tenha facebook
Ah! e blog também
Tenha amigos homens
Escute-os!
Faça terapia por pelo menos 3 meses
Vá à praia quando estiver vazia
Durma de domingo à tarde
Converse com seu filho sobre tudo
Tome Coca Cola normal
Vá à livraria para paquerar com os livros e com os moços de óculos
Deixe de ser boba!e vá sambar!
Corra 5 km na esteira 
Converse com seu anjo da guarda e sozinha sempre
Escreva, leia, reflita, e mande tudo pra lua por um bom motivo
Perca a cabeça, mas, nunca o cartão de crédito
Cuide-se
Ame-se
Comece a fazer tênis com seu filho
Não se reprima, já dizia Menudo
Tenha gatos, pelinhos amados
Ganhe tempo com qualidade e não perca tempo com quantidade
Vá jantar na casa da sua mãe
Cozinhe para seu pai
Desabafe com a sua empregada
Respeite seu filho
Reencontre pessoas queridas
Chore, chore, chore e por fim sorria
Seja uma pessoa cheia de temperos, sem sal nunca! 
Deixe ir quem quer ir
Não faça tipo, seja um tipo incomum de pessoa
Seja amiga do seu ex marido e da nova esposa dele
Ame de coração aberto
Brinque com as crianças, seja uma delas
Tenha 2 tatuagens
Seja uma loira inteligente
Fique amiga de todos que cruzarem o seu caminho
Note as pessoas à sua volta
Deixe-se notar
Goste muito das suas qualidades  
Ame descontroladamente seus defeitos (só você é capaz disso)
Pegue roupa emprestada da sua irmã, mas, vista-se do seu jeito e pra você
Exponha seus sentimentos, mostre-se neles
Tire fotos com filtro e sem filtro
Seja só e somente só, suas vontades, escolhas, atitudes e consequências!
Seja você Marcela, e será sempre feliz de qualquer jeito e do seu jeito
Qual seu jeito de ser feliz? me conta





quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Memória muscular do meu coração



Estudos já comprovaram que o corpo tem uma memória muscular. Explico.
Se você já fez exercício algum dia, e por razões diversas parou, se resolver novamente voltar a fazer será mais fácil recuperar os músculos e a boa forma, porque o corpo tem essa magnífica memória muscular. É como se o nosso corpo fizesse um backup do nosso rendimento, dos nossos músculos e quando necessário ele resgata de novo através da memória muscular. Muito maluco isso! Mas realmente nosso corpo é muito inteligente. Se você o tratar bem, ele vai se comporta bem, caso contrário será um menino birrento relaxado. 
Depois que reconheci isso como verdade, apliquei isso também ao meu coração. Já que é um órgão e um músculo. Tenho certeza que o coração tem uma “memória emocional”.
No dicionário o significado de coração que me interessou foi: “1. Órgão oco, muscular.... 2. A parte mais interna, ou a mais central, ou a mais importante dum lugar, região. 3. A natureza ou a parte emocional do indivíduo.4. Amor, afeto...”
Pensando loucamente e tentando fazer paralelos entre músculo corporal e músculo emocional... muito interessante saber que o coração é um órgão oco, por isso que colocamos pessoas, coisas e momentos nele. Para ocupar! Para preencher! Para ficar menos vazio!
E imagino que quando eu coloco uma pessoa no coração, a culpa de não esquecer essa pessoa deve ser do amor. O amor é que faz o coração se exercitar, trabalhar á todo vapor! e logo ativar a memória emocional. Aí tudo volta. Só pode ser isso! 
Uma vez que você coloca alguém no seu coração, honestamente prepare-se pra essa pessoa nunca mais sair. Ou só sair com ordem de despejo, e com todo meu leigo conhecimento isso demora pra caramba. Tirar alguém de qualquer lugar é complicado, imagina do coração!
Por isso cuidado!  Prudência vai bem, porque é um caminho sem volta.
Será culpa da “memória emocional” essa estupidez de deixar no coração pessoas que se foram?? Será que existe um outro mecanismo físico, sem ser cortar os pulsos, de bloquear esse amor, essa infeliz memória de amar o outro???  
Eu sei que memória muscular se aplica a músculos corporais, mas até um ser como eu 99% emoção, precisa entender cientificamente falando o porque??? Do porque??? De algumas pessoas nunca mais sairem dos nossos corações, dos nossos poros, dos nossos pensamentos, dos nossos músculos, das nossas vidas.   
Um atleta fica anos parado, mas basta voltar a ativa, para seu corpo se adaptar rapidamente. Isso também acontece com o coração.
Você jura de pés juntos dizer não... não se envolver, não gostar, não querer nunca mais nada disso referente ao amor. Acha ridículo a sua amiga do trabalho ser doente apaixonada a ponto de chamar o namorado de “bombom”.    
E basta chegar o amor novo, ou o ex amor velho e exercitar o coração, fazer o coração fazer abdominais, flexões, levantar pesos, que simplesmente tudo volta como Tsunami atropelando toda razão, toda saudade, toda distância. 
E tá lá você de novo, bobinho, com os olhos brilhando, a boca salivando por beijo, o corpo suando pelo desejo. E tá lá você 24h tentando se comunicar telepaticamente com o seu amor, imaginando ele em todas as coisas mais banais e até colocando apelidos “fofos” nele.
Não sei de quem é a culpa, mas por ora coloco a culpa na minha memória emocional que não só é corporal, mas deve ser coronária também.
Eu desisto hoje de tentar achar respostas pra esse acontecimento, vou aceitar essa explicação como lógica e verídica e dormir em paz.
Porque a culpa...a culpa não é minha de gostar, amar, querer, que alguns nunca saiam do meu coração, a culpa é dessa maldita e cretina memória emocional que eu criei, que adora ser acordada cada vez que eu quero pensar que esqueci que amar faz bem, e é bom pra alma, pro coração e pros músculos.
E como diria a música: “Meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você”- Marisa Monte.
Então se ele é um músculo involuntário a culpa não é minha.
A culpa é sua de continuar no meu coração e fazer ele pulsar involuntariamente.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Livro Eu



Cada pessoa é um livro. Somos leituras de histórias diversas e diferentes. Histórias tristes, alegres, dramas, fantasias, romances, mentiras, violências... ficções e aventuras. Somos um livro Best Seller na melhor versão sangue, suor e lágrimas. E tudo mais que o roteiro permitir.
Você conhece alguém quando lê esse alguém. Lê de cabo à rabo. Lê de trás pra frente. Lê e se interessa, lê e se decepciona. Lê o olhar, o corpo, o coração, a cabeça dessa pessoa livro.
Quem você está lendo por ai? 
Muitos me conheceram, mas poucos me leram na íntegra, e menos pessoas ainda me entenderam nas entrelinhas.
Poucos tiveram a delicadeza, a gentileza de olhar mais que a capa. Poucos reconheceram os meus capítulos. Até porque sou uma leitura complexa mesmo. Mas dispenso manual.
Eu peço.
Me lê. Me conhece. Chora comigo, ri das minhas loucas bobagens, se encanta com a minha coragem de viver, se decepciona com a minha postura conformada, briga comigo, depois me abraça e fica de bem no capítulo 8. Eu perdoo sempre. Se apaixona por mim.  Me odeia, mas só por algumas páginas.
Sou esse livro, ás vezes doce, e outras de capa dura. Sou esse livro infantil que conta estória pra dormir, e também sou o livro sujo, promíscuo e profano. Sou esse livro grifado, cheio de anexos e pecados pra entender.
Sou cheia de metáforas, de conversas íntimas, de diálogos longos e profundos. Mas, também sou estória bobinha que serve só pra fazer rir.
Me lê. Sente a minha conversa, pede uma bebida pra mim e pra você, se solta, se entrega, exagera na ilusão.
Me lê a meio luz, meio apagada, ou no breu, que aí eu apareço mesmo. Apareço cheia de detalhe, cheia de mistério, cheia de vontade, saudade e luz.
Me lê. Lê a minha loucura emocional e não só minha sanidade real. Lê meu desespero por morrer de amor e encontrar o amor que traduz o “e viveram felizes para sempre”.
Me lê. Você não sabe quantas coisas posso te contar, quantas quero te dizer, só pra você se interessar, só pra te ganhar, só pra ter. Ter você meu brinquedo, meu desejo, minha ilha deserta, minha distração preferida! Ter minha sedução atendida.
Me lê como livro usado, gasto, com anotações particulares. Lê como se fosse livro novo cheirando à gráfica ainda. Lê como se eu fosse Shakespeare, ou o vagabundo Bukowski. Lê o que eu escondo de Nelson Rodrigues em mim.
Lê e me imagina como você quiser. Lê esse sonho e essa verdade. Veja que as mentiras que eu falo de mim são folclore que de tanto contar acabam virando mais que lenda.   
Lá no capítulo 10 eu vou me trair, e depois me arrepender, sofrer e me querer de volta. Porque eu sou livro de amor, romance que acaba bem e tem final feliz!
Lê essa história minha, e só minha, que é confusa porque é pra você se perder e se achar em mim como num labirinto de espelhos ou numa cama de amantes.
Lê devagar, lê me devorando, e depois volta na página 1 pra começar de novo, só pra me decorar.
Lê o final primeiro, pra entender o começo de mim.
Lê como oração, canção e poema pra curar as dores da alma.
Lê como “Pequena Criatura” da Luana e "Barzarzinho" da Fabi Koller.
Lê meus defeitos de ortografia, e mesmo assim não me crítica, não me julga, não me abandona.
Lê.
Depois de tudo lido, relido e entendido, ou desentendido... me coloca na sua estante só pra se exibir. Eu deixo. Mas aviso: Só quando eu quero deixar!
Mas, se você quiser... me carrega contigo. Na mochila, no coração, no pensamento, na lembrança de uma citação, no som da minha risada, na sua vontade de ficar, na estrada que você tá seguindo, na sua carne. E se você gostar, me coloca na cabeceira, e toda noite olha pra mim com vontade de me ler mais uma vez.
Eu sou livro. Eu sou palavra. Eu sou a vontade de ser lida por você.
Me lê e boa leitura.
quinta-feira, 5 de julho de 2012

Matei



Faz mais ou menos uns dois meses que eu a matei. Não tive nenhuma dúvida, nem receio de cometer o crime, ou o pecado imperdoável.
Matei porque ela me sufocava, vivia me pedindo coisas impossíveis, não respeitava minha vontade de seguir e nem meus medos, me atormentava com julgamento, e um monte de mi mi mi.
Matei. Ela falava feito louca, me impedia de ouvir. Ela me cutucava com o passado e a única coisa que eu queria era ver o futuro, longe dela e de tudo que estava ali.
Você faria o mesmo. Ela era mimada, e se suas vontades não eram feitas, era um tormento só. Muito chata!! Pedante! Mau criada!
Confesso conviver com ela era uma agonia. Ela tinha um jeito de me seduzir que era tão forte e quando via, já tinha falado, já tinha feito, tudo como ela queria.
Matei porque era matar ou morrer. Foi legítima defesa mesmo. Foi o desespero de sobreviver, de respirar.
Matei sufocada na minha dor, afogada no meu choro, enforcada em todas as minhas culpas e remorsos. Matei soterrada nas minhas dúvidas.
Não me arrependo. Nem um pingo.
Ela até era engraçadinha, mas passou a ser desnecessária com o passar do tempo. Era antiquada e logo se tornou obsoleta. Era passado.
Não teve jeito foi numa briga, onde eu dizia baixo e ela gritava alto, muito alto, ela usava argumentos confusos, mas aí me descontrolei totalmente, gritei mais alto que ela e disse o que nunca havia dito: “CHEGA”.
Ela não reagiu, ficou quieta, calada se surpreendeu com a minha atitude. Depois de uns dias de silêncio profundo, veio de novo com aquela voz doce me pedindo coisas, feito criança arrependida.
Não escutei, não ouvi nada. Fui surda por consciência e amor próprio. Não obedeci.
Ela tentou. Mas não conseguiu. Eu já estava gostando muito mim. Já estava comigo de novo, de braço dado com a minha alegria, de pazes feitas com o meu sorriso e a minha pouca paz.
Hoje pensei nela, não sei por que. Mas pensei sem saudade, pensei só porque ás vezes os fantasmas voltam a assombrar, pensei por apego. Pensei  nela sim, mas hoje a voz dela virou um grito abafado, sem a menor importância.
Todo mundo tem um pouco do bem e do mal dentro de si. São dois SENTIMENTOS que o tempo todo lutam pra ganhar espaço, pra se fazer presente. O bem em mim é muito forte e só me faz crescer, seguir, viver. Não me afasta de mim mesma. O mal dentro de mim, me faz bem pequena, dependente do outro, do passado, de coisas que só me fazem parar, me fazem fechar portas, desistir de pessoas e de mim.
Todos somos dois dentro de um. Não é a bipolaridade tão na moda, ou é uma pouco no sentido figurado e não diagnosticado. Cada um tem suas dúvidas, suas dualidades.. .o positivo e negativo. A verdade, a mentira. O medo, a coragem.
O negativo existe, mas não pode te dominar, te matar dia á dia. Ele pode e deve existir, isso é natural e humano.
O positivo existe pra se manifestar tão forte e incontrolável quanto é viver. Viver bem, feliz e realizado.
Fazem dois meses que eu matei um pouco do mal em mim. Dessa Marcela que de alguma forma era o que mais me fazia sofrer. E você? Tem alguém aí dentro de você que te impede, que te cerceia, que te angústia? Que te cala quando você tem quer falar? Que consome suas forças pra seguir? Isso te faz bem? Mal? Como você convive com as duas pessoas que vivem em você?  
Ela foi tarde, perdi algumas coisas com a Marcela que foi, que eu matei e que morreu, mas a Marcela que ficou tá me trazendo muito, muito mais, e dessa eu não abro mão.
Matei e tô feliz da vida.
quinta-feira, 14 de junho de 2012

Cadê meu Wally??



Essa semana comemoramos o DIA DOS NAMORADOS. Uns gostam de jantar fora, comprar presente, mandar flores, cartão...tudo isso já foi mais importante pra mim. Calmaaaa! Não estou dizendo que deve passar em branco. Jamais. Nunca. Lembrar das datas alimenta o romantismo e o sentimento. É gostoso mesmo depois de um tempinho, ou um tempão se importar em surpreender o outro.
Mas pense, o mais importante não é estar com quem você gosta, ama??? Ali junto, perto?! Acredite, é sim. Garanto.
Na noite do dia dos namorados, assisti pela 5ª vez Medianeras um filme argentino do Gustavo Taretto. Foi meu presente. Adoro esse filme. Gosto porque é doce, atual, tem um texto gostoso, a fotografia é realista, e a mensagem do filme é legal. É um filme simples.
Gosto também porque a mocinha do filme é linda e o mocinho é estranho, mas um charme. Eles combinam.
O filme é um romance. Tanto ela, quanto ele vivem em seus pequenos apartamentos em Buenos Aires. Ambos vivem os seus pequenos mundos conectados. Dores, alegrias, buscas, frustrações, lembranças e encontros.
Fora a mocinha ser linda, ela está sofrendo, perdida, angustiada, totalmente sozinha. Sofre a dor do fim de um longo relacionamento, que reconhece ter sido uma perda de tempo. Ele também vive o término de uma relação, e dessa história dele só sobra uma cachorrinha. Ele também sofre, mas se afoga num mundo de internet, tecnologia pra fugir da dor. Ele é tão sozinho e triste quanto ela.
Os dois vão vivendo, experimentando pessoas e situações, tentando acertar a vida.
Eles são vizinhos. Se encontram algumas vezes, mas nunca se acham. Boa essa frase (minha)“se encontram algumas vezes, mas nunca se acham”. Isso acontece muito.
Voltando. A mocinha tem um livro“Procurando Wally”...Você conhece? É um livro que tem o desenho de um bonequinho como se fosse um turista em diversas situações e lugares e você tem que achá-lo nesses lugares. Entendeu?! É divertido e simples como o bom amor.
Ela sempre procura o Wally numa determinada situação e nunca acha.
E ás vezes torna-se assim mesmo encontrar o amor. Uma busca alucinada! Olhar 300 vezes pro mesmo lugar e não ver nada. Virar a página, voltar na página e nada. Observar o interessante nas pessoas e simplesmente não ter interesse algum. Procurar as diferenças e só encontrar o igual, o comum.
É a verdadeira procura por Wally.
A vida dos dois segue. Ela e ele saem com pessoas, mas é só isso, algumas noites divertidas com pessoas diferentes. Mais nada.
Não tem jeito o coração é o melhor e o pior órgão que temos. Melhor porque nele que estão os sentimentos e pior porque é nele que os sentimentos ficam.
Enquanto não se acha esse amor, a procura e algumas situações são cômicas! Porque na lista tem de tudo um pouco. Tem gente mala, pegajosa, carente e aí ficar com alguém assim é cometer crime hediondo! Mas na lista também tem gente legal, bonita, divertida, inteligente, mas aí é só amizade. Enfim, tem pra todos os tipos, gostos e momentos.
O cara pode sair com uma multidão de mulheres... sai com a moça da academia, a vizinha inteligente e viajada, a amiga do trabalho gostosa... mas é só cama. É só isso.
A moça também sai. (considerando que a proporção homem mulher é muito maior sempre) mas é só isso também, alguns encontros interessantes com expectativas super dimencionadas.
Não me pergunte qual a matemática, a lógica da coisa. Só sei que quando a conta bate, quando você finalmente resolve a equação e ela dá exata... ahhhh! é bom demais! É felicidade X 1000 elevada a milésima potência.
É mágico, é lindo, é poético, é sonho e realidade.
É sorriso no rosto, é vontade de ver toda hora, é querer estar perto sem nenhuma razão ...é bom, é bem bom.
Nunca sabemos quando, onde e como vamos encontrar o amor. Assim como a morte. Louca essa semelhança.
Pode ser á qualquer tempo. Pode ser na rua, na viagem, na faculdade, no mercado, na internet, pode ser tantas coisas. E isso é maravilhoso, porque é o improvável agindo na sua vida sem seu controle.
Mas a gente sempre encontra. Eu acredito nisso. Acredito porque gosto de estar apaixonada, gosto porque o amor literalmente me alimenta.
Gosto porque sou uma mulher de peixes! E isso explica muita coisa em mim.
O filme acaba bem, eu adoro o final.
No dia dos namorados nem sempre se está acompanhada, namorando, mas isso não é ruim. Afinal, sempre existirá Medianeras com essa mensagem que no fim você sempre encontra seu Wally!
Ixiiiiii contei o fim do filme. Desculpa sempre faço isso.
Feliz dias dos namorados meu Wally, meu próximo amor! 
quinta-feira, 31 de maio de 2012

Nua



Aproveitando o ensejo de uma exposição que está aqui no Centro de São Paulo – Corpos Presentes (muito boa), onde algumas esculturas estão despidas, e essa questão chegou a me incomodar, apesar de ser arte. Tenho uma coisinha minha pra contar. Não chega á ser um segredo, mas talvez um costume.
Eu nunca durmo sem roupa. É isso. Nunca durmo despida, pelada, nua. Durmo de pijama, meia e até de sutiã. É extremamente desconfortável pra mim ficar sem nada. Me sinto invadida, desprotegida, observada, constrangida, abandonada, vulnerável.
Enfim, não é natural.
Como tenho o louco costume, assim como Freud de associar fatos á reações psicológicas pensei! Porque é tão estranho, anormal e desconfortável dormir nua? Sentir-se nua?
Me propus: Dormir forçosamente algumas noites nua.
Minha parte sã logo gritou: “Ei não dá pra fazer essa brincadeira no verão?!!!!” Mas minha parte insana foi logo tirando a roupa.
Na primeira noite, não dormi. Nada. Fiquei imóvel um pouco, depois me mexi e me remexi, tive frio, calor, fiquei ansiosa, me senti muito estranha. Tentei reconhecer cada sensação.
Na segunda noite, dormi. Pouco. Mas no meio da noite tive vontade de ir ao banheiro. Lógico que a minha parte sã gritou e xingou novamente: “Tá vendo! que idéinha ridícula essa de dormir sem roupa, como você vai ao banheiro agora e no frio???!” Me enrolei no edredon e fui.
Na terceira noite, dormi. A noite toda. Talvez de exausta. Acordei tranqüila, mas tão logo notei a falta da roupa fiquei paranóica. Totalmente introspectiva e desconcertada.
Isso acontece com você? Esse incômodo de estar nu de tudo?
Eu falo, faço e aconteço, mas vestida. Vestida e acompanhada.
Todas as noites dormir nua foi inconveniente.  E entendi o porquê.
Porque nua sou só eu. Eu e meus defeitos, eu e minhas linhas retas, eu e as minhas pintas espalhadas pelo corpo, eu e meu comportamento torto, eu e minhas qualidades que insisto em não ver, eu e minhas escolhas confusas.
Só eu. Sem disfarce, sem badulaques, sem modismos, sem toda alegoria cintilante que me faz ir pra avenida todos os dias fazer o meu carnaval.
Eu sei que a alegoria e o brilho ajudam a ganhar o carnaval. Mas estar nua, sentir-se nua é importante, te faz maior, majestade e não mais pequena nas mesmices. É nua que as coisas fazem sentido.
Ir pra avenida sozinha, é real demais, não tem efeito. Mas precisa ser feito assim no momento.
Estar nua de sentimentos, de lamentos, de reação, de medos, de lembranças.
Sentir-se nua de vontades, de gostar, de querer, de pedir, de insistir.
Eu estou assim nesse momento. Nua e crua como a verdade.
E estou gostando mais dessa verdade, essa mesma que está na cara, que bate de frente.
Eu quero ficar assim um tempo.  Até me acostumar comigo sem nada, sem coisa alguma, sem ninguém. Agora eu só quero estar nua.
Quero essa nudez plena e absoluta em cada parte de mim, e do meu querer.
Quero me sentir e me vestir bem devagar. Muito lentamente. Sem nenhuma pressa.
Só de coisas boas. Só de bem pouco.
“Nós mulheres inteligentes com o passar dos anos carecemos de bem pouco. E só do bom e do melhor” (Ines de La Fressange).
Me vestir do que faz meus olhos brilharem, meu coração bater sem ritmo, minha boca calar. Me vestir de dentro pra fora, e não contrário. Quero que seja gostoso, completo.
Quero me vestir de quase nada. Eu sei que não se vai á muitos lugares sem roupa, sem artefatos, sem ninguém, sem desculpas. Mas se chega bem perto de si mesmo. Quero me desfazer de toda culpa que está nas minhas costas. Quero parir essa mulher despida de necessidades fúteis e sem sentido.
E eu estou assim, cara á cara comigo mesma. Não é simples, não é confortável confesso, mas é necessário, essencial pra entender as coisas á sua volta.
Bom, é isso agora vou apagar a luz. Boa noite.
Opa! Esqueci preciso tirar a roupa pra dormir. Hoje é a última noite da “vivência” de dormir sem roupa, mesmo porque até minha parte insana pega gripe com esse frio.

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