quinta-feira, 9 de março de 2017

Que dia é hoje?



Venho me perguntando sempre que leio, escuto uma conversa ou faço parte de um bate papo qual o papel que mulher está representando na vida? Com certeza você vai dizer você está de brincadeira com essa pergunta né?! Então tô não. A pergunta é séria e relevante.
Tenho visto e observado a mulher exausta por tantos papéis que representa na vida. Pode parecer mi, mi,mi, mas se for e daí? São tantos os papéis, é tanto por fazer que está batendo um cansaço. A mulher e aqui estou generalizando mesmo está parecendo caminhãozinho de mudança carregado até a boca, com pouca gasolina, se arrastando para chegar sei lá onde e em primeiro lugar.  
Eu sei, eu sei, foi a gente que foi pra rua, foi a gente que pediu pra jogar no peito, foi a gente que assumiu tudo, foi a gente que gritou eu posso, foi a gente que exigiu o direito, tudo bem eu sei, mas ué as vezes cansa.
Cansa pra caramba ter que fazer tudo isso e lavar louça, educar filho, ir pra academia, trabalhar, ficar linda, pensar no almoço do domingo, levar o carro no mecânico, dar bronca no filho, ficar na fila do banco, pensar na rotina da casa e ainda com um puta sorriso no rosto.
Eu confesso as vezes cansa. Também deve cansar até mesmo você que toma TARGIFOR todos os dias e tem disposição 24hs. Porque é uma fadiga, uma preguiça ter que lidar e  provar com fatos irrefutáveis o óbvio. 
Mulher não deveria ser um substantivo feminino, mas um adjetivo. Um adjetivo porreta que cabe em qualquer situação e em qualquer momento.
Acho que é por isso que as vezes a gente vai dormir jogada e acabada, é por isso que as vezes a gente faz manha, pede colo, dá grito, explode, chora no carro, xinga até a geladeira que não tem nada a ver com a questão só porque ela está ali paradona já toma um xingo.
Mulher é assim, e mesmo que algum santo resolva nos ajudar na maioria das vezes a gente não aceita. Por que? Porque a gente gosta de mandar, fazer e reclamar depois. Mas mesmo assim a gente é fofa (para não dizer foda) isso é incontestável e merece TODO respeito.
Sim merecemos TODO respeito, TODOS os dias, de TODOS os jeitos e em TODAS as situações.
Não cabe em nenhuma hipótese ser desrespeitada, agredida, descriminalizada, ridicularizada e humilhada.
Mulher tem seu papel, e posso dizer não é qualquer papel, é papel timbrado, com gramatura especial, é papel de dobradura, é papel especial, é papel de presente, é papel forte na sociedade, na vida, no mundo. É papel impresso com valor, cuidado, amor, capricho, charme que só a gente tem. É coisa nossa inerente ao nosso cromossomo XX.
Por isso que mesmo que cansadas de tantas obrigações, cheias de mi,mi,mi, exaustas de tantas injustiças nós não vamos admitir fazer papel coadjuvante, papel de boba, papel de trouxa.
Hoje é dia 09 de março, um dia depois do Dia Internacional da Mulher, um dia comum que vale lembrar que ainda somos especiais, ainda queremos respeito, e amanhã será dia 10 de março e nada vai mudar vamos continuar sendo especiais e exigindo respeito e por um único motivo somos mulheres e não vamos abrir mão de ser.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Olhe com olhos de quem quer ver




Ano começou e com ele aquela imensa lista de metas a cumprir. Não adianta dizer que esse ano será diferente e blá blá blá… o que a gente precisa mesmo não são de listas com metas para cumprir, mas de uma lupa, uma enorme lente de aumento para ver no sentido total e literal da palavra enfim enxergar!
Meu filho e marido (sem generalizar mas homens nunca encontram as coisas quando tem uma mulher para encontrar por eles) escutam com frequência eu dizer isso quando estão procurando por algo que não encontram: “olhe com olhos de quem quer ver”.
Batata! Eles sempre encontram o que procuram quando olham atentos, concentrados em achar.
E é isso a gente não vai achar nada de diferente se de fato não quiser ver as coisas de forma diferente.
Portanto, para o ano ser diferente não resolve ter listas e metas, mas sim olhar. Enxergar um novo estilo de vida porque é mais saudável, enxergar um novo relacionamento sem joguinhos, enxergar um novo emprego que deixe mais feliz, enxergar uma nova maneira de se relacionar com as pessoas para se estressar menos, enxergar as coisas mais leves e ver que as coisas mais leves na verdade são as que pesam mais na balança no fim das contas e por aí vai.
A gente perde tempo e energia, se consome em raiva, frustração quando não consegue seguir a lista a risca e chega no fim do ano olhando pra lista e pensando caraca não fiz nem o terceiro item da lista.
Por que na maioria das vezes isso acontece? Por que não existe êxito em concretizar as coisas que nos propomos?
Eu penso que porque nos distraímos, tiramos o foco, o olho daquilo que queremos, outra razão é não adaptamos o que queremos com o que já temos. Geralmente somos radicais com nossas metas e nos propomos passar do 8 para os 80 em dias. Mas é difícil dar certo desse jeito porque não lidamos muito bem com o trauma da mudança. É comprovado que pequenas mudanças todos os dias acaba sendo mais positivo a longo prazo.
Você não sofre tanto, não se exige tanto e não acaba se tornando o carrasco de si mesmo que com o tempo acaba se rebelando e desistindo de tudo.
Sem tortura, trauma, mudanças violentas, choro, aos poucos as metas da lista vão se realizando.
Tem uma coisa que não pode faltar para cumprir uma meta é disciplina.
Seja 15 minutos de caminhada, comer 2 frutas por dia, guardar dinheiro para viagem, brigar menos com o irmão, beber menos álcool, comer menos doce, aprender inglês, ir 3x por semana na academia, tenha disciplina!
Crie mecanismos para realizar suas metas e também mecanismos de alerta quando perceber que não está mais motivado, que não está mais vendo sentindo em continuar.
Volte a pensar no “olhe com olhos de quem quer ver” veja novamente e ache o que você precisa para seguir.
Esse texto vale pra mim, pra você que quer um 2017 diferente em
alguns aspectos e que quer olhar para sua listinha de metas no final do ano e enxergar resultado.
Vamos lá! mãos a obra o ano já começou.

**Esse texto foi escrito com a intenção de voltar a escrever no blog as quintas feiras algo que amo e me dá muito prazer. Voltar a escrever é uma das minhas metas de 2017. Muito obrigada por ler isso me motiva.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Era uma vez um panetone


Há alguns anos atrás minha irmã me contou um conto muito bom. Aconteceu com um amigo dela, o Rafa. Chegada a vésperas do Natal o Rafa ganhou de presente da empresa que trabalhava um panetone da Kopenhagen. Panetone luxo! Panetone caro!   
Levou para casa e esperava abrir o panetone na noite de Natal. Mas, ocorre que dias antes do Natal passou na porta da sua casa um senhor da carrocinha e pediu qualquer coisa que pudessem dar. Sua vózinha portuguesa pegou o panetone e deu para o senhor.
Quando chegou o dia do Natal, o amigo da minha irmã procurou pelo panetone, perguntou para sua mãe, para a empregada onde estava o panetone? Ninguém sabia, tinha sumido. Foi quando ele resolveu perguntar para sua vó, que prontamente respondeu que havia passado o homem da carrocinha e ela tinha dado para ele.
O Rafa ficou louco e bravo! Falou: "Como assim vó, você deu o panetone da Kopenhagen?!" Ela na sua mais alta sabedoria portuguesa respondeu dei, nem era Bauducco. (risos, risos, risos). 
Eu adoro essa história! Porque para vózinha do Rafa Bauducco é o melhor panetone, pra mim também é. Mas, a moral dessa histórinha de família, é a seguinte só a gente sabe o valor que as coisas tem pra gente.
Valorizar algo é muito pessoal, assim como gostar.Talvez a vó do Rafa não conhecesse o panetone da Kopenhagen, talvez o senhor da carrocinha também não. Mas, fica claro que nem tudo que é caro é o melhor, nem tudo que nos custa muito é bom.
Ela deu de boa ação, e o senhor recebeu de bom grado. Nem um nem o outro ficou reparando se o panetone era caro, ou coisa parecida.
A ação de dar e receber no Natal se potencializa, quase todos querem presentear, e também ser presenteados.
Tirando alguns presentes mico de amigo secreto, como um sabonete pintado a mão Lux Luxo cheio de glitter e lantejoulas que eu ganhei na 4ª série, fiquei tão traumatizada que passei a pedir sempre de amigo secreto uma camiseta Hering branca! Era isso, bem básica e com zero possibilidade de dar errado.Tirando isso e alguns outros "presentes" ganhar presente é muito bom.
Nos sentimos prestigiados, especiais, queridos. Até quando alguém te dá um presente com a seguinte legenda "achei a sua cara" que da sua cara não tem nada, a gente devia se sentir feliz porque é desse jeito que a pessoa te vê. Será que alguém me vê como um sabonete pintado a mão, com glitter e lantejoulas?! Retiro o que eu disse, você não precisa ficar feliz não.
Mas, é incontestável a alegria de ganhar alguma coisa que gostamos.Um presente é um presente. E presente não é dinheiro, não é vale presente, não é pedir para outra pessoa comprar. Presente é se preocupar em fazer um afago, dar um mimo simples mas significativo. Eu já dei um lápis, para um amigo que coleciona lápis, sei que no meio de todos os lápis que ele tem, o que eu dei é importante.
E por que seria importante se é apenas mais um lápis? Porque tem valor agregado. Tem o sentimento do carinho envolvido, que diz: "Olha eu gosto de você" ,"olha eu me importo com o que você gosta". 
Presentear também é muito bom, dá uma alegria na alma, um brilho no olhar cintilante. Você nunca reparou? Então comece a notar.
Esse ano quase não comprei presentes, grana curta e contas e mais contas para pagar.
Mas, fiz uma sacolinha para uma senhorinha do Abrigo Frederico Ozonam, onde minha amiga Aline presta serviço voluntário. Escolhi dentro duma lista a senhora Maria de Nazaré, foi aleatoriamente mas, queria ter com ela alguma conexão, então escolhi alguém do meu signo. Ela faz aniversário dia 24/02 é pisciana. 
Fiquei pensando que podia ser eu daqui uns anos, pensei na noite de natal dela, de como tudo seria. Fui pro shopping escolher as coisinhas da sacolinha. Comprei uma roupa, uma sapatilha, um chinelo de quarto, um conjunto de lingerie, um conjunto com sabonetes de lavanda e dei o melhor de mim, as minhas palavras, escrevi um cartão.
Se é difícil presentear alguém que a gente conhece imagina alguém que você nunca viu. Eu ficava perguntando pra mim mesma, será que ela vai gostar disso? Será que ela gosta de lavanda como eu? Quando vi o chinelo de quarto pensei bom depois dela tomar um banho gostoso a noite, vai colocar sua camisola e um chinelo gostoso. Vocês não imaginam! Mas, eu criei um personagem adorável na minha cabeça, queria dar forma para essa pessoa.
E eu como boa pisciana, dei forma, personalidade, sentimentos, frustrações e tudo mais. Eu queria valorizar ao máximo mesmo sem conhecer essa senhora.
Esse foi sem dúvida o presente que mais gostei de dar, foi o que mais me deu prazer de fazer nesse Natal. Sem ser hipócrita, foi a D. Maria de Nazaré que salvou da forca o espírito de Natal na minha vida esse ano.
Essa data do natal tem seu peso em mim, não sou apaixonada pela data, e faz anos que busco uma razão maior.
Claro que não precisamos do Natal para fazer uma sacolinha, uma visita, dar um abraço sincero, mas, precisamos acreditar no bem que isso faz.
Eu de verdade espero que a D. Maria de Nazaré goste do cartão, do resto ela pode até nem gostar, mas, espero que tudo que eu escrevi tirem um bom sorriso dela, e mais que isso faça ela se sentir especial.
Porque esse é o melhor presente ser especial para alguém. Não cair no esquecimento.Não ser lembrada por obrigação, mas, por gratidão.
Não tenho qualquer vínculo afetivo com a D.Maria de Nazaré, ou melhor não tinha. Porque nesse Natal meu sentimento de "Noite Feliz" com direito a rosa dada pelo Roberto Carlos no especial de Natal vai todo pra ela.
A gente pode gostar de Kopenhagen, ou de Bauducco, ou nem gostar de panetone, e isso se estende ao Natal também, mas, o que a gente não pode nunca deixar de gostar é de fazer o bem, isso nada tem a ver com religião, com comércio, com especial de natal, com o carrão que vai ser sorteado no shopping. Isso tem a ver comigo, com a Vózinha portuguesa, com o senhor da carrocinha, com a D. Maria de Nazaré. 
Gente da melhor espécie que merece o presente de dar e receber amor. Feliz Natal pessoal!
sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Florais da gentileza


Você já ouviu falar em Florais de Bach? Então, Florais de Bach foi desenvolvido pelo Dr.Edward Bach, um médico britânico. São essências florais, um “preparado natural, geralmente elaborado a partir de flores maduras, plantas ou ainda arbustos ao qual se agrega brandy ou álcool natural como conservante”. Há muitos anos e por muitas pessoas é usado como terapia complementar, medicina alternativa na ajuda contra depressão, ansiedade, agressividade, insônia, apetite, circulação, digestão, e mil e outras situações. Tem pra tudo, ou quase tudo, e até cachorro toma floral hoje em dia.
Eu tenho uma alma meio esotérica e holística porque sou pisciana, mas, por incrível que pareça nunca tomei floral. E por mais incrível que pareça ainda eu acredito que faça bem. Não que para tomar floral você precise ser pisciano, ou alternativo, mas, você precisa ao menos simpatizar com o assunto.
Caso você seja cético, pragmático, e acredite somente na medicina alopata creio  que o caminho da homeopatia não vai te agradar muito. E por um único motivo, você precisa acreditar que as tais gotinhas vão te ajudar, vão te curar ou pelo menos minimizar sintomas. Claro que tem a parada toda científica no meio e os estudos, mas, eu penso que é muito mais uma melhora emocional que interfere no físico que qualquer outra coisa.
Falo tudo isso não porque estou vendendo floral e quero te convencer de algo, mas, porque no nosso dia a dia temos essas gotinhas muitas vezes de outras maneiras.
No meu caso eu costumo "usar" 3 gotinhas por dia que me ajudam e muito a ter um dia melhor e a dar um “up”. Essas 3 gotinhas de uma forma muito simples me conectam com coisas boas e positivas.
São elas: o borracheiro, o bilhetinho do  senhorzinho da rua e o fiscal do ônibus da linha 2100.
Calma! Não é o que você está pensando.  
Explico. 
Todos os dias pelo meu caminho a pé passo por uma borracharia e todos os dias o borracheiro educadamente faça chuva, ou faça sol me diz bom dia.
Outro dia andando a pé pela rua de casa, encontrei um senhor bem vestido, alegre com uns papeizinhos na mão. 
Ele me parou e disse: Moça boa tarde posso te dar 3 palavras? E me entregou um papel com as palavras: Paz, harmonia e tranquilidade. E complementou pense nessas 3 palavras sempre; deseje que elas estejam em você e na sua vida. E continuou andando pela rua e entregando para os escolhidos seus bilhetinhos com as palavras.
E quando venho trabalhar, ao voltar pra casa, na fila do ônibus, tem um moço o fiscal da linha 2100, que toda vez que subimos no ônibus diz: Pessoal, boa tarde e boa viagem.
Essas são minhas 3 gotinhas que uso como se fossem florais e me fazem bem. Essas 3 situações ridiculamente simples me causam um conforto e bem estar imenso. 
Por que? Porque eu acredito que vou ter um bom dia quando o borracheiro me deseja isso, porque eu leio todos os dias o bilhetinho com as 3 palavras que o senhorzinho me deu e acredito nelas, por que acredito que voltar para casa mesmo num ônibus apertado, que as vezes quebra é uma boa viagem, porque vou voltar para meu porto seguro, para meus filhos, para o meu canto depois de um dia produtivo e cansativo de trabalho.
Assim como os florais, a homeopatia, todos os dias é sagrado, precisamos ter pequenas doses de gentileza, carinho, alegria, atenção e educação. 
É quase vital para todo ser vivo ser tratado e se tratar com gentileza. São nas pequenas coisas, nos minúsculos pensamentos que grandes coisas acontecem.
Essas miudezas se alastram de tal forma que se a gente permitir tomam conta da vida e a fazem mais leve e gostosa. Meio vida FIT, linda, leve, saudável e feliz.     
Se não resolvem tudo, melhoram sintomas desagradáveis. 
Não deveria ser algo sobrenatural, mas, natural. Contudo nós, brasileiros não estamos tão acostumados a essas coisas, e diga-se de passagem soa até esnobe ter um pouco a mais de educação e bons modos.
Pra uns pior que isso é ver essas pequenas coisas como florais que você toma todos os dias como “remédio” para ficar bem, parece sem dúvida desequilíbrio, insanidade mental.
Paciência. Não vejo assim. De médico e louco todo mundo tem um pouco como diz o dito popular e cada um se medica como lhe convém.
E se mal não faz, que possamos buscar diariamente aquilo que nos faça melhor. Seja numa leitura, numa conversa de amigas, na troca de gentilezas, no cuidar da nossa casa, do nosso arredor e de quem está com a gente.
Tenho certeza que esses “remédios” naturais curam boa parte da nossa artificialidade cotidiana. 
Andamos doentes. Nossa maior doença epidêmica é se comportar como a grande maioria sem perceber ou até de propósito. Vamos no embalão, e ai é ladeira a baixo.
Não sou doutora de nada para prescrever nada para ninguém, mas, sabe aquele unguento caseiro que passa de vó, pra mãe, pra tia que passa pra todo mundo,  que cura ferida, corta febre e faz andar? Pois é, é disso que eu estou falando. Esses florais da gentileza são mais ou menos isso.    
Se você é da minha turma, daqueles que acreditam que basta crer pra ver acontecer, dobre a dose diária, preste atenção a sua volta e faça a sua parte em dobro também. Espalhe gentileza. Engula gentileza. Respire gentileza. Veja gentileza.
Se você não é dessa turma, dê uma chance para os florais da gentileza, eles são milagrosos, mudam humor, estado de espírito, e fazem pessoas mais felizes. Aposto que mais feliz todo mundo quer ser e não tem contra indicação nem efeitos colaterais né. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Que beleza de projeto, que beleza de menina



Há umas duas semanas estive no cabeleireiro para fazer meu cabelo. Justo naquele dia havia acordado pra baixo. Não sou de tristeza e tão pouco me deixo abater, mas, naquele dia estava “down”.

Melhor opção ir pro cabeleireiro, ou melhor Hair Stylist, nada como um bom corte e uma boa escova pra dar uma animada. Chegando lá após me sentar e explicar para o Júnior (Hair Stylist) como queria cortar e fazer as mechas, ele começou a trabalhar.

Imediatamente para ajuda-lo chegou sua assistente Jamile. Para minha surpresa ela era Down. Não down para baixo, mas, portadora da Síndrome de Down.

Desse instante até o término das quatro horas e trinta minutos que passei sentada fazendo o cabelo observei a Jamile.

Jamile é uma moça de fato especial. Ela é rápida, assimila tudo, é organizada, é  proativa, educada, segura, calma.

Faz suas tarefas totalmente comprometida e absorvida com aquilo. Fiquei impressionada. Não estava no celular, não fica de papo furado, ela é focada.

Nunca havia estado diretamente em contato com alguém portador da Síndrome de Down e vi como os meus olhos, eles são absolutamente normais.

Notei uma alegria espontânea na Jamile, que apesar da postura atenta e séria, trabalhou o tempo todo satisfeita e feliz com o que estava fazendo. Raro isso. Quantos de nós ultimamente anda satisfeito com seu trabalho, seu ofício? Ou quantos de nós está comprometido, absorvido e feliz com o que está fazendo para ganhar dinheiro?

Não consegui me conter e nem deixar minha curiosidade de lado, e perguntei pro Júnior como a Jamile havia ido parar no salão.

Ai ele me contou. Disse que uma cliente havia ligado para ele e perguntado se o quadro de funcionários do salão estava completo, porque ela tinha uma amiga, que tinha uma filha que queria muito ser cabeleireira e precisava de uma oportunidade. Ele respondeu que no momento estava com todo quadro de funcionários preenchido, infelizmente. Mas, ela insistiu. E ele quis saber qual era a questão. Sua cliente então falou que a moça era portadora de Down, que ele não precisava pagar o salário dela, pois, ela era custeada pela Empresa Italiana de cosméticos Alfaparf, que mantinha um projeto com curso e treinamento para ajudar jovens com Síndrome de Down. O Júnior não viu nenhuma objeção, apenas salientou que não sabia lidar com uma pessoa que tinha Down, porque nunca tinha tido contado direto com uma, mas, marcou a entrevista.

No dia seguinte no horário combinado compareceu á entrevista, a Jamile, sua mãe e uma Assistente Social.  

Quando o Júnior perguntou para Assistente Social  como a Jamile deveria ser tratada ela respondeu, normal, como você trataria qualquer outra pessoa.

Nesse momento o Júnior disse que ela poderia começar a trabalhar lá. A Jamile prontamente o agradeceu e disse para ele, você vai se surpreender comigo.

Ele me confessou que ficou se perguntando como isso poderia acontecer.

Bom fazem 3 meses que ele é surpreendido positivamente e diariamente pela Jamile.

Que bastou ele explicar uma única vez como as coisas funcionavam no salão para que ela fizesse tudo com muito empenho, perfeição e de forma organizada.

Nem preciso dizer que estava loira, de escova no cabelo, e chorando. Mas foi um choro de felicidade e gratidão por saber dessa história e de ter a oportunidade de conhecer a Jamile.

Pedi a permissão do Júnior para contar essa história aqui no blog. Queria que todos que conhecem os meus textos tivessem a oportunidade de conhecer o projeto da Alfaparf, o Júnior e a Jamile.

Com relação ao projeto tenho a dizer que é maravilhoso ver uma empresa mesmo que não brasileira, acreditando, cuidando desses jovens tão talentosos que precisam de uma oportunidade para mostrar do que são capazes. E olha eles são muito capazes. Do Júnior só posso dizer que ele é uma cara muito do bem, e tem meu profundo respeito, por ter aberto as portas da sua empresa e o fez de braços abertos e sem ressalvas pela causa e pela Jamile. Ele é um super profissional que em momento algum pensou ou teve a indecente ideia que isso pudesse prejudica-lo ou diminuir o prestigio do seu  salão.

Agora a estrela mesmo do texto é ela, a Jamile. Essa moça encantadora que me deu um tapa de luva de pelica dizendo pra mim com todas as suas atitudes que ela acredita na vida e nela. Que não é porque ela tem Síndrome de Down que ela precisa ficar sentada em frente a TV esperando a vida passar e acabar. Que ela não precisa der bajulada ou adulada ela só quer ser tratada com respeito como qualquer pessoa normal ou especial.

Ela quer com todas as suas forças e algumas limitações deixar sua marca na vida.

Geneticamente falando o número de cromossomos presente nas células de uma pessoa é 46 (23 do pai e 23 da mãe), dispondo em pares, somando 23 pares. No caso da Síndrome de Down há um erro de distribuição e, ao invés de 46, as células recebem 47 cromossomos e este cromossomo a mais se liga ao par 21.

Eu sou leiga no assunto, e lamento profundamente por isso, porque nos tornamos arrogantes e ignorantes a medida que o problema não é nosso. Tenho certeza que se eu tivesse um filho, irmão, amigo Down eu saberia que eles são normais, que eles podem ter uma vida normal. Óbvio que os cuidados existem, claro que existe uma liberdade vigiada, mas isso não deve e nem pode ser um entrave pra se ter uma vida com sonhos, objetivos, amigos, amores.

De uma forma lúdica alguns pais de filhos Down e algumas pessoas dizem que esse cromossomo a mais é o do amor.

Não sou geneticista mas arrisco a dizer que sim é o cromossomo do AMOR.

Esse amor que lateja neles por cada tarefa simples executada, pelas pessoas a sua volta, pela alegria de compartilhar suas conquistas, esse amor que os torna inocentes, despretensiosos, felizes por qualquer razão. Esse amor fiel as suas vontades imediatas sem medo das consequências. Esse amor tão confiante e inesgotável que existe dentro deles.

Claro que quem tem esse cromossomo a mais, o cromossomo do amor, precisa ser diferente. Precisa ter o rosto, o corpo, os olhos, as mãos, os cabelos, o sorriso diferente, e talvez seja por isso que eles tenham suas próprias características e se tornem reconhecíveis a qualquer um. São especiais. E normais.   
Pra você que acredita no amor,  assim como eu, eu digo acredite nessas pessoas elas são incríveis e vão te surpreender.

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