quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ela casou e foi morar no Canadá


Você deve ter muitos amigos tenho certeza, eu também tenho. Mas a Bruna foi uma amizade que aconteceu de um jeito tão bom, natural, simples. Eu sei assim são as boas amizades. Elas acontecem. O fato foi que não estudamos juntas, não fizemos faculdade juntas, não moramos no mesmo prédio e nem na mesma rua, mas quando nos conhecemos com o tempo percebemos que juntas a gente ia seguir por afinidade, respeito, parceria, amor de irmãs e também por causa do brigadeiro e da polenta que ela faz. Sou sincera e tenho os meus interesses.
Foi na praia numa casa linda e cheia de amigos que a gente bateu o primeiro papo. Talvez por conta do vinho, ou porque somos piscianas, ou até por ela é alta e eu sou baixinha que foi papo bom e divertido.
Se eu sou do tipo que faz amizade até com formiga morta, ela é na dela. Eu dou confiança pra todo mundo já a dela a gente precisa conquistar.
E foi assim eu do meu jeito e ela do dela que sentamos muitas vezes e falamos da vida, das nossas preocupações, medos, vontades e alegrias.
Entre tantas conversas eu separada e solteira ela idem na época, a gente fofocou sobre nossos amores, dores, expectativas e sonhávamos em encontrar um amor pra valer. Amor bom de cuidar e receber. A gente só queria sair uma noite encontrar um cara bacana, sem frescura e joguinhos, se apaixonar e “pá casar”. Qualquer semelhança com príncipe encantado é mera coincidência.
Bastava uma vir com uma historinha que a outra já imaginava tudo acontecendo como num filme romântico hollywoodiano.
Primeiro foi comigo. Contei pra ela minha história de novo amor. E tudo foi acontecendo, durando e dando certo. Bingo! Fui sorteada! Era e é um amor bom, desses que vale a pena construir uma vida do lado. Desses de pele, alma e coração.
Aí foi ela. Na Copa de 2014 aqui no Brasil. No fatídico jogo Alemanha x Brasil, eu sei que você lembra, sabe aquele? 7X1?! Então num desses bares que promoveu telão, jogo, bebida, gente uniformizada e toda alegoria pra enfeitar a vitória, mas no caso foi a derrota, que ela conheceu e beijou o Carioca.
Bruna é Bruna, gostar ela gostou mas não se empolgou muito já que o moço era de fora. Beberam juntos, se divertiram, e deu uma morridinha na coisa.
Passou um tempo acho que 1 mês e eles novamente se reencontraram. Era amor bom desde o começo mas ela não sabia ainda.
Eu estava toda felizona, ela estava indo aos poucos, mas no imaginário já estava pensando no futuro. “E se a coisa engatar? Ele mora no Rio de Janeiro, eu aqui em São Paulo, não vai dar certo. Como vai ser? Eu não acredito em namoro a distância. Ele é carioca”.
É ele é carioca, e é inteligente, divertido, alto (alto era uma condição de amor bom para Bruna) do bem e estava fazendo minha amiga feliz.
Eles se viraram e deram um jeito de tudo fluir, ele vinha ficava, ela ficava bem, eles estavam juntos e namorando. Eles têm sintonia e se entendem.
O que era pra ser um sinal de mau agouro porque perder de 7x1 é um puta azar, foi golaço aos 3 minutos de prorrogação do 2º tempo que deu a vitória pro casal.
O namoro não ligou para a distância e foi fazendo planos. Eu confesso que já pensava no vestido que ia usar no casamento.
Minha amiga estava feliz! Nosso aquário estava em festa.
Mas nem eu com a minha imaginação de roteirista consegui imaginar que ela se casaria e ia embora para o Canadá.
No máximo pensei vão se casar e morar no Rio de Janeiro e eu vou pra lá pegar uma praia e depois um pós praia.
Mas não! Marcus (é o Carioca) recebeu uma proposta de transferência no trabalho para o Canadá e aí o que era plano virou realidade em alguns dias. Marcaram a data do casamento, correram com a papelada do visto, e com arrumação de bye bye Brasil. 
Para nossa surpresa marcamos a data dos nossos casamentos no mesmo dia 18/02/2017! A gente não combinou nada, e como meu dia na verdade sempre foi dia 19/02 não me casei de  papel passado nesse dia.
O casamento dela foi íntimo, estavam poucos e os melhores amigos. Foi um dia pra lá de feliz, foi gostoso, charmoso e divertido.
Eu ganhei buquê! Ganhei mesmo porque a Bruna fez um buquê especialmente pra me dar. Uma maneira de dizer enfim casadas.
Eles se mudaram para o Canadá, ontem a Bruna me contou que a casa já está bem organizada faltando apenas alguns detalhes para ficar o “Lar doce lar”.

Eu estou feliz, eles estão felizes e todo esse texto é só pra dizer para você que acredita no amor, na amizade, no destino, que aqui é Brasil!!!!!  Aqui a gente vive pra amar, e acredita em histórias boas e felizes que dão certo mesmo elas começando num jogo de Copa do Mundo onde a gente perdeu de 7 gols porque isso foi só um detalhe besta.
Afinal azar no jogo sorte no amor baby.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Eles fizeram 18!


Então foi isso o tempo passou pra mim e pra eles. Lembro-me da primeira reunião da pré escola que a professora achou que eu era irmã mais velha do Arthur. Pois é hoje eu sou a Tia Marcela. Foi no colégio que o Arthur fez amigos assim como no prédio em que morávamos. Eles cresceram, hoje cada um está seguindo suas escolhas, seu caminho.
O Arthur fez 18 anos do jeito dele. Ele quis comemorar com os amigos. O pai corajosamente e na confiança liberou a casa e rolou uma festa organizada por ele e pelos amigos.
Rolou a festa! No estilo deles, pulseirinha, música, vodka barata, o amigo que chama o amigo, enfim se divertiram.  Fizeram uma baguncinha, limparam a casa do jeito deles, ele perdeu a unha de um dedo do pé e tudo certo.
Aí foi o João que fez 18 anos. O João também comemorou ao estilo dele. Ao estilo mega produção Batcave. Foi uma super festa no interior de São Paulo, na fazenda da família. Super produção, palco, bandas, Djs, touro mecânico, máquina de foto instantânea, vans para buscar e levar, hotel para os convidados, comida deliciosa, bebidas a vontade, parabéns, bolo lindo, fogos, 4 graus de temperatura, foi demais! Foi demais no sentido literal da palavra. Muita alegria, muitos amigos, a família reunida e os pais de alguns amigos. 
Nós fomos. Caímos na pista, dançamos, bebemos, tiramos fotos, foi pura diversão. Teve mocinha linda me falando: “Tia você ta arrasando na pista”. Teve menino abraçando meu marido e falando: “Fezão que bom que vocês estão aqui”. Teve pais e filhos ali conversado, dando boas risadas, brindando com pinga de barril o aniversário do João que também é o Nani.
Teve tanto de tudo que é bom, pais, filhos e amigos reunidos, celebrando uma data importante, olhando pro céu estrelado e agradecendo por vivermos esse momento todos juntos.
Combinamos com o João que com 36 anos vai ter festa! Não queremos nem saber, queremos tudo de novo. Estaremos mais velhos, mas estaremos lá com eles vivendo tudo de novo.
Depois foi a vez do Fernando fazer 18 anos. E a comemoração foi dele e a cara dele. Foi camarote e balada. Nós quase não fomos, mas na hora “H” nós conseguimos ir. O Fe fez esquenta na casa dele, com direito a cachorro quente e bebidas. Na balada estavam todos lá, dançando, rindo, andando pra cá e pra lá, bebendo, falando, ficando, beijando.
Foi muito bacana. Por alguns minutos voltei no tempo, num flash back me vi nessa idade com as minhas amigas e amigos da escola na balada.  Só que nessa noite eu estava com meu filho, meu marido, os amigos do Thu e os pais do Fernando.
Olhei no espelho do banheiro e constatei que o tempo havia passado, eu não era mais aquela garota da escola, representante de classe, que jogava Handebol, que comia fandangos com os amigos em baixo de uma árvore que adotamos nossa, que fazia trabalho de escola, que tinha aula de laboratório, que trocou de prova de matemática com o amigo.
Olhei a minha volta e a conversa no banheiro feminino ainda era a mesma. 
-“Nossa você viu com quem o Pedro ta ficando?”
-“Meu sério a Cá não vem? Meu a mãe dela é muito mala”. 
-“Rafa você viu a roupa ridícula que a Julia ta vestindo, afff... ela se acha a linda”.  
-“Se hoje a gente não ficar junto eu vou desencanar dele e vou pegar o Murilo”.
As meninas olharam pra mim, e uma delas disse: “Ela é a mãe do Arthur”. A outra fez uma carinha espantada e disse: “Oi tia que legal que você veio, ta gata”.  
O “ta gata” aliviou o “Oi tia”.
Saindo do banheiro duas meninas se beijavam. O tempo é outro. O amor é plural. Eu estava ali vivendo meu passado em pleno futuro, em pleno presente.
Ficamos um pouco, dançamos, curtimos, e voltamos pra casa com uma sensação boa, uma coisa jovem de frio na barriga, olho brilhando, sorriso na cara e corpo molinho.
Sempre dá saudades do que a gente já foi, do que a gente já viveu. Eu morro de saudades do colégio, de como era a vida naquele tempo.
Hoje são eles que estão com 18 anos. São eles que tem sonhos impossíveis pra realizar, coisas para fazer a cada segundo, tempo pra errar e consertar. São eles que estão saindo do colégio e mergulhando na vida.
Nós sonhamos com o possível, temos nossas coisinhas pra fazer, e cada tempo perdido é um erro que não dá pra consertar.
É bom ver filho grande, filho moço, filho criado. Lógico que o trabalho não acaba, que a preocupação nunca vai dormir, no máximo ela tira um cochilo, mas é bom ver que eles estão fazendo 18 anos com valores, amigos, planos, e cheios de vida.
É bom saber que ainda pedem remédio pra gripe, gostam da nossa comida, que não importa  quanto o tempo vai correr a gente vai estar com eles na linha da largada e na linha da chegada.
Filhos maiores, menores, pais novos, velhos, essa é uma relação de amor a qualquer tempo e seja com qualquer idade nós só queremos que eles não esqueçam de pegar a blusa e que sejam felizes. Vida longa aos Reis!

*Menina do banheiro só queria te contar que hoje sou bem casada com um homem que é meu amigo desde os 14 anos, éramos amigos da praia, de férias. Hoje temos uma Pimpim e construímos uma vida juntos. Isso é só pra dizer que ainda bem que o mundo gira, e que no final dá tudo certo. Então dane-se se o Pedro está ficando com outra. Enjoy garota você tem 18 anos!
quinta-feira, 9 de março de 2017

Que dia é hoje?



Venho me perguntando sempre que leio, escuto uma conversa ou faço parte de um bate papo qual o papel que mulher está representando na vida? Com certeza você vai dizer você está de brincadeira com essa pergunta né?! Então tô não. A pergunta é séria e relevante.
Tenho visto e observado a mulher exausta por tantos papéis que representa na vida. Pode parecer mi, mi,mi, mas se for e daí? São tantos os papéis, é tanto por fazer que está batendo um cansaço. A mulher e aqui estou generalizando mesmo está parecendo caminhãozinho de mudança carregado até a boca, com pouca gasolina, se arrastando para chegar sei lá onde e em primeiro lugar.  
Eu sei, eu sei, foi a gente que foi pra rua, foi a gente que pediu pra jogar no peito, foi a gente que assumiu tudo, foi a gente que gritou eu posso, foi a gente que exigiu o direito, tudo bem eu sei, mas ué as vezes cansa.
Cansa pra caramba ter que fazer tudo isso e lavar louça, educar filho, ir pra academia, trabalhar, ficar linda, pensar no almoço do domingo, levar o carro no mecânico, dar bronca no filho, ficar na fila do banco, pensar na rotina da casa e ainda com um puta sorriso no rosto.
Eu confesso as vezes cansa. Também deve cansar até mesmo você que toma TARGIFOR todos os dias e tem disposição 24hs. Porque é uma fadiga, uma preguiça ter que lidar e  provar com fatos irrefutáveis o óbvio. 
Mulher não deveria ser um substantivo feminino, mas um adjetivo. Um adjetivo porreta que cabe em qualquer situação e em qualquer momento.
Acho que é por isso que as vezes a gente vai dormir jogada e acabada, é por isso que as vezes a gente faz manha, pede colo, dá grito, explode, chora no carro, xinga até a geladeira que não tem nada a ver com a questão só porque ela está ali paradona já toma um xingo.
Mulher é assim, e mesmo que algum santo resolva nos ajudar na maioria das vezes a gente não aceita. Por que? Porque a gente gosta de mandar, fazer e reclamar depois. Mas mesmo assim a gente é fofa (para não dizer foda) isso é incontestável e merece TODO respeito.
Sim merecemos TODO respeito, TODOS os dias, de TODOS os jeitos e em TODAS as situações.
Não cabe em nenhuma hipótese ser desrespeitada, agredida, descriminalizada, ridicularizada e humilhada.
Mulher tem seu papel, e posso dizer não é qualquer papel, é papel timbrado, com gramatura especial, é papel de dobradura, é papel especial, é papel de presente, é papel forte na sociedade, na vida, no mundo. É papel impresso com valor, cuidado, amor, capricho, charme que só a gente tem. É coisa nossa inerente ao nosso cromossomo XX.
Por isso que mesmo que cansadas de tantas obrigações, cheias de mi,mi,mi, exaustas de tantas injustiças nós não vamos admitir fazer papel coadjuvante, papel de boba, papel de trouxa.
Hoje é dia 09 de março, um dia depois do Dia Internacional da Mulher, um dia comum que vale lembrar que ainda somos especiais, ainda queremos respeito, e amanhã será dia 10 de março e nada vai mudar vamos continuar sendo especiais e exigindo respeito e por um único motivo somos mulheres e não vamos abrir mão de ser.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Olhe com olhos de quem quer ver




Ano começou e com ele aquela imensa lista de metas a cumprir. Não adianta dizer que esse ano será diferente e blá blá blá… o que a gente precisa mesmo não são de listas com metas para cumprir, mas de uma lupa, uma enorme lente de aumento para ver no sentido total e literal da palavra enfim enxergar!
Meu filho e marido (sem generalizar mas homens nunca encontram as coisas quando tem uma mulher para encontrar por eles) escutam com frequência eu dizer isso quando estão procurando por algo que não encontram: “olhe com olhos de quem quer ver”.
Batata! Eles sempre encontram o que procuram quando olham atentos, concentrados em achar.
E é isso a gente não vai achar nada de diferente se de fato não quiser ver as coisas de forma diferente.
Portanto, para o ano ser diferente não resolve ter listas e metas, mas sim olhar. Enxergar um novo estilo de vida porque é mais saudável, enxergar um novo relacionamento sem joguinhos, enxergar um novo emprego que deixe mais feliz, enxergar uma nova maneira de se relacionar com as pessoas para se estressar menos, enxergar as coisas mais leves e ver que as coisas mais leves na verdade são as que pesam mais na balança no fim das contas e por aí vai.
A gente perde tempo e energia, se consome em raiva, frustração quando não consegue seguir a lista a risca e chega no fim do ano olhando pra lista e pensando caraca não fiz nem o terceiro item da lista.
Por que na maioria das vezes isso acontece? Por que não existe êxito em concretizar as coisas que nos propomos?
Eu penso que porque nos distraímos, tiramos o foco, o olho daquilo que queremos, outra razão é não adaptamos o que queremos com o que já temos. Geralmente somos radicais com nossas metas e nos propomos passar do 8 para os 80 em dias. Mas é difícil dar certo desse jeito porque não lidamos muito bem com o trauma da mudança. É comprovado que pequenas mudanças todos os dias acaba sendo mais positivo a longo prazo.
Você não sofre tanto, não se exige tanto e não acaba se tornando o carrasco de si mesmo que com o tempo acaba se rebelando e desistindo de tudo.
Sem tortura, trauma, mudanças violentas, choro, aos poucos as metas da lista vão se realizando.
Tem uma coisa que não pode faltar para cumprir uma meta é disciplina.
Seja 15 minutos de caminhada, comer 2 frutas por dia, guardar dinheiro para viagem, brigar menos com o irmão, beber menos álcool, comer menos doce, aprender inglês, ir 3x por semana na academia, tenha disciplina!
Crie mecanismos para realizar suas metas e também mecanismos de alerta quando perceber que não está mais motivado, que não está mais vendo sentindo em continuar.
Volte a pensar no “olhe com olhos de quem quer ver” veja novamente e ache o que você precisa para seguir.
Esse texto vale pra mim, pra você que quer um 2017 diferente em
alguns aspectos e que quer olhar para sua listinha de metas no final do ano e enxergar resultado.
Vamos lá! mãos a obra o ano já começou.

**Esse texto foi escrito com a intenção de voltar a escrever no blog as quintas feiras algo que amo e me dá muito prazer. Voltar a escrever é uma das minhas metas de 2017. Muito obrigada por ler isso me motiva.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Era uma vez um panetone


Há alguns anos atrás minha irmã me contou um conto muito bom. Aconteceu com um amigo dela, o Rafa. Chegada a vésperas do Natal o Rafa ganhou de presente da empresa que trabalhava um panetone da Kopenhagen. Panetone luxo! Panetone caro!   
Levou para casa e esperava abrir o panetone na noite de Natal. Mas, ocorre que dias antes do Natal passou na porta da sua casa um senhor da carrocinha e pediu qualquer coisa que pudessem dar. Sua vózinha portuguesa pegou o panetone e deu para o senhor.
Quando chegou o dia do Natal, o amigo da minha irmã procurou pelo panetone, perguntou para sua mãe, para a empregada onde estava o panetone? Ninguém sabia, tinha sumido. Foi quando ele resolveu perguntar para sua vó, que prontamente respondeu que havia passado o homem da carrocinha e ela tinha dado para ele.
O Rafa ficou louco e bravo! Falou: "Como assim vó, você deu o panetone da Kopenhagen?!" Ela na sua mais alta sabedoria portuguesa respondeu dei, nem era Bauducco. (risos, risos, risos). 
Eu adoro essa história! Porque para vózinha do Rafa Bauducco é o melhor panetone, pra mim também é. Mas, a moral dessa histórinha de família, é a seguinte só a gente sabe o valor que as coisas tem pra gente.
Valorizar algo é muito pessoal, assim como gostar.Talvez a vó do Rafa não conhecesse o panetone da Kopenhagen, talvez o senhor da carrocinha também não. Mas, fica claro que nem tudo que é caro é o melhor, nem tudo que nos custa muito é bom.
Ela deu de boa ação, e o senhor recebeu de bom grado. Nem um nem o outro ficou reparando se o panetone era caro, ou coisa parecida.
A ação de dar e receber no Natal se potencializa, quase todos querem presentear, e também ser presenteados.
Tirando alguns presentes mico de amigo secreto, como um sabonete pintado a mão Lux Luxo cheio de glitter e lantejoulas que eu ganhei na 4ª série, fiquei tão traumatizada que passei a pedir sempre de amigo secreto uma camiseta Hering branca! Era isso, bem básica e com zero possibilidade de dar errado.Tirando isso e alguns outros "presentes" ganhar presente é muito bom.
Nos sentimos prestigiados, especiais, queridos. Até quando alguém te dá um presente com a seguinte legenda "achei a sua cara" que da sua cara não tem nada, a gente devia se sentir feliz porque é desse jeito que a pessoa te vê. Será que alguém me vê como um sabonete pintado a mão, com glitter e lantejoulas?! Retiro o que eu disse, você não precisa ficar feliz não.
Mas, é incontestável a alegria de ganhar alguma coisa que gostamos.Um presente é um presente. E presente não é dinheiro, não é vale presente, não é pedir para outra pessoa comprar. Presente é se preocupar em fazer um afago, dar um mimo simples mas significativo. Eu já dei um lápis, para um amigo que coleciona lápis, sei que no meio de todos os lápis que ele tem, o que eu dei é importante.
E por que seria importante se é apenas mais um lápis? Porque tem valor agregado. Tem o sentimento do carinho envolvido, que diz: "Olha eu gosto de você" ,"olha eu me importo com o que você gosta". 
Presentear também é muito bom, dá uma alegria na alma, um brilho no olhar cintilante. Você nunca reparou? Então comece a notar.
Esse ano quase não comprei presentes, grana curta e contas e mais contas para pagar.
Mas, fiz uma sacolinha para uma senhorinha do Abrigo Frederico Ozonam, onde minha amiga Aline presta serviço voluntário. Escolhi dentro duma lista a senhora Maria de Nazaré, foi aleatoriamente mas, queria ter com ela alguma conexão, então escolhi alguém do meu signo. Ela faz aniversário dia 24/02 é pisciana. 
Fiquei pensando que podia ser eu daqui uns anos, pensei na noite de natal dela, de como tudo seria. Fui pro shopping escolher as coisinhas da sacolinha. Comprei uma roupa, uma sapatilha, um chinelo de quarto, um conjunto de lingerie, um conjunto com sabonetes de lavanda e dei o melhor de mim, as minhas palavras, escrevi um cartão.
Se é difícil presentear alguém que a gente conhece imagina alguém que você nunca viu. Eu ficava perguntando pra mim mesma, será que ela vai gostar disso? Será que ela gosta de lavanda como eu? Quando vi o chinelo de quarto pensei bom depois dela tomar um banho gostoso a noite, vai colocar sua camisola e um chinelo gostoso. Vocês não imaginam! Mas, eu criei um personagem adorável na minha cabeça, queria dar forma para essa pessoa.
E eu como boa pisciana, dei forma, personalidade, sentimentos, frustrações e tudo mais. Eu queria valorizar ao máximo mesmo sem conhecer essa senhora.
Esse foi sem dúvida o presente que mais gostei de dar, foi o que mais me deu prazer de fazer nesse Natal. Sem ser hipócrita, foi a D. Maria de Nazaré que salvou da forca o espírito de Natal na minha vida esse ano.
Essa data do natal tem seu peso em mim, não sou apaixonada pela data, e faz anos que busco uma razão maior.
Claro que não precisamos do Natal para fazer uma sacolinha, uma visita, dar um abraço sincero, mas, precisamos acreditar no bem que isso faz.
Eu de verdade espero que a D. Maria de Nazaré goste do cartão, do resto ela pode até nem gostar, mas, espero que tudo que eu escrevi tirem um bom sorriso dela, e mais que isso faça ela se sentir especial.
Porque esse é o melhor presente ser especial para alguém. Não cair no esquecimento.Não ser lembrada por obrigação, mas, por gratidão.
Não tenho qualquer vínculo afetivo com a D.Maria de Nazaré, ou melhor não tinha. Porque nesse Natal meu sentimento de "Noite Feliz" com direito a rosa dada pelo Roberto Carlos no especial de Natal vai todo pra ela.
A gente pode gostar de Kopenhagen, ou de Bauducco, ou nem gostar de panetone, e isso se estende ao Natal também, mas, o que a gente não pode nunca deixar de gostar é de fazer o bem, isso nada tem a ver com religião, com comércio, com especial de natal, com o carrão que vai ser sorteado no shopping. Isso tem a ver comigo, com a Vózinha portuguesa, com o senhor da carrocinha, com a D. Maria de Nazaré. 
Gente da melhor espécie que merece o presente de dar e receber amor. Feliz Natal pessoal!

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